Felicidade – O Trabalho Ganha Novo Significado | Espiritualidade nos Negócios

Felicidade – O Trabalho Ganha Novo Significado

A maior contribuição que a psicologia positiva trouxe foi colocar a felicidade no centro de nossas ações novamente, na condição de meio e fim em si mesma, ou seja, como alavanca que nos impulsiona ao trabalho para que possamos atingir o propósito de sermos felizes.

Esta felicidade baseada nas emoções positivas ganhou papel de destaque no mundo contemporâneo a partir do momento que a busca pela qualidade de vida tornou-se um dos principais objetivos dos profissionais no mercado de trabalho. Pela primeira vez na história da humanidade, o trabalho é associado a um significado completamente novo. Até então, trabalhava-se unicamente por obrigação. Trabalhávamos para sobreviver e para satisfazer os desejos sem fim alimentados pelo materialismo. Hoje muitos já trabalham por prazer e enxergam justamente no trabalho um meio para a realização pessoal.

Pela primeira vez, desde os tempos da aurora da humanidade, quando Adão e Eva cometeram o “pecado original”, o trabalho deixa de ser visto como punição. Para o filósofo Alain de Botton (BOTTON apud COHEN E CID, 2009, p. 65), “nossa [sociedade] é a primeira a sugerir que deveríamos trabalhar mesmo na ausência de um imperativo financeiro”. Trata-se de uma forma totalmente nova de enxergar nosso papel no mundo. Através do trabalho, passamos a atribuir valor, missão e significado à vida, conceitos que estão no cerne do movimento espiritualista.
Uma pesquisa realizada pelo Instituto Gallup em 2008 (ÉPOCA, 2009) confirma esta tendência entre os brasileiros. A pesquisa constatou que os profissionais que se consideravam “engajados” em seus respectivos trabalhos também se diziam mais felizes. Entre os que se declararam “totalmente engajados”, 20% declararam que tinham a melhor qualidade de vida possível. O filósofo Richard Sennet (SENNET apud COHEN E CID, p.66) explica que “a maioria das pessoas pode se desenvolver através do trabalho e que isso tem consequências psicológicas, recompensas como autorrespeito e o respeito dos outros”.

Para Marco Túlio Zanini (ZANINI apud COHEN E CID, p.67), professor de administração da Fundação Dom Cabral, esta mudança de perspectiva “vem de uma mudança institucional sobre a forma de produzir valor no mundo”. Segundo Zanini, antes o homem era apenas mais uma peça na engrenagem de uma grande máquina que produzia objetos em uma linha de montagem. Hoje a história mudou. “Na maior parte dos casos, o objeto de seu trabalho é intelectual e exige raciocínio, criatividade, emoção. Sem boas condições, sem satisfação, ele não consegue pensar direito, produzir conhecimento”, analisa (Idem).

A partir do momento que o dinheiro deixa de ser a única recompensa pelo trabalho realizado, passamos a discutir: é possível ser feliz no trabalho?

Antes de responder esta questão, precisamos achar as respostas para outra pergunta: o que nos deixa infelizes? Segundo uma pesquisa recente realizada pela consultoria britânica Chiumento (ÉPOCA, 2009), as principais causas da infelicidade são:

1- Falta de orientação por parte do chefe
2- Salário baixo
3- Empresas não investem em capacitação e desenvolvimento do funcionário
4- O chefe é fraco
5- Falta de reconhecimento
6- Ideias dos funcionários são ignoradas
7- Benefícios insuficientes
8- O esforço não é percebido
9- O trabalho é desagradável
10- Ausência de propósito

Mesmo que receba um bom salário, ótimos benefícios e trabalhe em um ambiente agradável, por quanto tempo você consegue apertar o mesmo parafuso todos os dias, sem saber o motivo pelo qual está fazendo isto? É possível alcançar a chamada realização profissional sem que a missão da empresa esteja alinhada ao seu propósito de vida?

Trabalhar sem propósito é viver em uma prisão. Ou melhor, você não vive, apenas sobrevive dia após dia, tentando escapar do vazio que corrói o estômago e aperta o coração. Estas sensações negativas não diferem muito daquilo que deveriam sentir escravos, servos e, mais recentemente, os empregados nas linhas de produção pós-Revolução Industrial. A falta de propósito deixa o trabalho robotizado, mecânico, automático, sem espaço para emoção e para criatividade. Passa-se a fazer mais do mesmo. E o mesmo nunca muda.

Muitas empresas já perceberam isto e hoje disseminam metodologias de gestão com o intuito de alinhar propósitos pessoais de seus funcionários aos objetivos do Planejamento Estratégico, bem como, à missão e aos valores da empresa. Grande parte dos programas de qualidade implementados nas organizações, como o selo da Acreditação no universo hospitalar, por exemplo, tem este propósito. “O desejo de agir com sentido em nosso trabalho parece uma parte tão importante de nossa estrutura como nosso apetite por dinheiro ou status”, afirma Botton (BOTTON apud COHEN E CID, 2009, p.71).

De acordo com a International Stress Management Association (Isma-BR), associação especializada nas causas do estresse, as principais características das pessoas felizes, ou satisfeitas, com seu trabalho são auto-estima elevada, otimismo elevado e a capacidade de se sentir no controle da própria trajetória (BONS FLUÍDOS, 2008).

Quando estamos felizes ou realizados no trabalho, normalmente, experimentamos sensações de flow, conceito inventado por Csikszentmihaly, um dos pais da psicologia positiva, para designar os momentos de imersão que vivenciamos quando sentimos prazer em realizar determinada tarefa. Trata-se daqueles momentos em que, literalmente, esquecemos dos ponteiros do relógio e o tempo parece voar.

Segundo Graziano e Appolinário, o flow não está vinculado somente ao prazer. Quando você assiste a partida de futebol do seu time de coração, você não vivencia o flow, mesmo que ele vença do principal adversário de goleada. Disponível no site <http://www.psicologiapositiva.com.br/>

Para vivenciarmos esta imersão, é preciso que coloquemos em prática o melhor que temos a oferecer, as nossas forças pessoais:
“Para a Psicologia Positiva quanto mais flow você tiver em sua vida, maiores suas chances de felicidade. A notícia boa é que podemos obter momentos de flow durante nossa atividade profissional e quando isso acontece, o trabalho passa a ser uma fonte de felicidade. É claro que os problemas continuarão acontecendo, de modo que você também experimentará emoções negativas no seu exercício. Porém a experiência do flow fará com que você estabeleça uma relação diferente com seu trabalho na qual o dinheiro passa a ser uma agradável consequência dele, e não um fim em si mesmo. Imagine o impacto disso na produtividade dos funcionários. É por isso muitas empresas estrangeiras têm procurado promover o flow no ambiente de trabalho.” Disponível no site <http://www.psicologiapositiva.com.br/>

No entanto, para colocar estas forças pessoais em ação é preciso olhar para dentro de si. “A felicidade profissional não se desvincula do autoconhecimento, um grande desafio para o homem contemporâneo”, ratifica o monge beneditino alemão Anselm Grun (GRUN apud BONUMÁ, 2009, p.42).

Para Hunter (2004), só a felicidade não basta. É preciso ir além, em busca da alegria. Na visão do autor, a felicidade é passageira, isto é, depende de algo bom e momentâneo para acontecer. Já a alegria não depende de circunstâncias externas. “Alegria é satisfação interior e a convicção de saber que você está verdadeiramente em sintonia com os princípios profundos e permanentes da vida. Servir aos outros nos livra das algemas do ego e da concentração em nós mesmos que destroem a alegria de viver”, enfatiza (HUNTER, 2004, p.133).

Dar este passo a mais implica não só em uma mudança de postura, mas de consciência, da quebra total com os paradigmas com os quais estávamos habituados. Este novo modelo requer um ser humano integral, que saiba equilibrar razão, emoção e espírito. Para alcançar esta harmonia, precisamos colocar em prática nossa inteligência espiritual.

Autor: Fernando Ferragino

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