Espiritualidade na gestão empresarial: como funciona na prática? | Espiritualidade nos Negócios

Espiritualidade na gestão empresarial: como funciona na prática?

Não existe um modelo pronto para a aplicação da espiritualidade nas empresas. Assim como acontece com a inteligência emocional e a psicologia positiva, a inteligência espiritual não fornece uma receita de bolo pronta para ser implantada nas empresas, mas fornece conceitos e parâmetros que devem nortear princípios e valores de empresas e gestores, de modo que cada organização possa suprir suas necessidades reais e particulares.

Diante disto, cabe a cada empresa, com a ajuda de uma consultoria especializada ou suporte do Recursos Humanos/Comunicação, diagnosticar os problemas da empresa mediante a aplicação de uma pesquisa de clima. Esta ação, entretanto, exige muita maturidade e senso crítico para enfrentar seus próprios males e, na maioria das vezes, ouvir críticas que irão ferir o ego de gestores e diretores. Após o diagnóstico, cabe às equipes responsáveis pelo programa desenhar um modelo ou carta de princípios, plano de ações e condutas que passarão a nortear os relacionamentos internos/externos da organização. Todas as ações devem estar alinhadas (e se necessário alterar) a cultura organizacional e o planejamento estratégico da organização. Em razão disso, devem contar com o apoio irrestrito da alta direção.

O presidente ou superintendente da empresa deve ser a primeira pessoa empenhada e comprometida ao processo de transformação. Mesmo porque encontrará resistência às mudanças mesmo entre alguns diretores e líderes de equipes. Nestes momentos, será preciso coragem para “colocar o dedo na ferida” e adotar medidas “desconfortáveis” em prol da mudança positiva a longo prazo. Do contrário, nada muda na prática, a não ser o discurso. Quando isto acontece, os funcionários, geralmente subestimados pela alta direção, percebem este vazio nas reais intenções. Em situações como esta, a imagem da empresa fica ainda pior, pois o discurso dos gestores cai no descrédito e as pessoas, literalmente, perdem a fé na transformação positiva, tornando-se ainda mais desmotivadas e apáticas. Em situações como esta, vale o velho discurso do “último que sair apague a luz!”. É triste, mas acontece… a todo momento.

Cabe às empresas e seus executivos criar e implementar políticas que contribuam para a visão sistêmica e holística do negócio e que estimulem os funcionários a um questionamento contínuo e constante sobre aquilo que estão fazendo, por que estão fazendo e como podem melhorar. Neste amplo processo, a empresa indicará caminhos e, sempre sob orientação de um coaching, estimulará ainda mais os questionamentos, mas não dará respostas prontas. A empresa deverá direcionar o olhar do funcionário para dentro de si e criar um ambiente favorável que o ajude nesta jornada de descoberta que, no final, trará mudanças e resultados positivos para todos os stakeholders. Por fim, a organização como um todo deve despertar para consciência de que não existe apenas em razão do lucro, mas tem como propósito maior a contribuição social para o bem coletivo da sociedade e do meio ambiente onde está presente.

Embora não haja fórmula pronta para a espiritualidade no trabalho, a aplicação desta inteligência supramental no ambiente corporativo está condicionada a alguns pilares, que ajudarão a organização a sustentar todo o processo de mudança. Cada autor tem uma visão particular sobre estes pilares. Na minha visão, é importante que a organização edifique e dissemine as seguintes características na organização:

– Consciência do Ser Integral e Interdependente
– Visão Holística – as Quatro Nobres Verdades e o Nobre Caminho Óctuplo de Buda
– Bússola Moral e Ética
– Respeito e Responsabilidade
– Comunicação Transparente e Relacionamentos Positivos
– Liderança Espiritualizada

Nos próximos posts, explicarei cada uma destas características…

Autor: Fernando Ferragino

Compartilhe

Deixe um comentário

Seu e-mail não será publicado.


*