Pra entender a crise de 2008 – parte final | Espiritualidade nos Negócios

Pra entender a crise de 2008 – parte final

É no limiar das grandes crises que a humanidade avança! Assim como a doença, as crises que enfrentamos em nossas vidas e em sociedade são alavancas para nosso processo de transformação e evolução na Terra.

Nos últimos anos, sempre movidas pela ganância, instituições financeiras e grandes corporações cometeram o maior pecado do capitalismo: passaram a conceder crédito a quem não tinha dinheiro para pagar. Passaram então a negociar estes ativos tóxicos juntamente com outros títulos podres altamente recomendados por agências que deveriam regular o mercado. Foi um verdadeiro tiro no pé. A economia mundial ficou viciada e dependente de um cassino global, que vendia gato por lebre. O capitalismo perdeu então sua essência. Já não interessava mais às empresas produzir riqueza atrelada à fabricação de bens de consumo, e sim extrair lucro do mercado de ações.

As corporações enterraram sua bússola moral e perderam sua finalidade, a razão de existir. Os pilares da fé cega sobre os quais o capitalismo foi eregido começaram a ruir e desmoronar. O colapso só não foi total, graças à intervenção direta dos governos, que passaram a comprar os ativos podres das empresas à beira da falência. Desde então, a sociedade, de uma forma geral, tenta achar culpados pela crise. Afinal, quem é culpado pela crise? O que deu errado? Quando deu errado? Na busca de um bode expiatório, todos apontam o dedo em riste para os outros, menos para si mesmos. Não seríamos todos nós culpados? Fraudes e esquemas ilícitos não acontecem devido à ação de um único agente, mas com a ajuda e sob a conivência de muitas pessoas. Inclusive dos consumidores, que se endividaram quando já não podiam mais e correram atrás do “crédito fácil”, impelidos pela onda consumista que assola a sociedade.

O problema tomou vulto maior quando passamos a confundir ambição com ganância. Embora possam parecer similares, as duas palavras têm significados diferentes. A ambição está ligada à inovação, à constante busca por algo melhor. A humanidade evoluiu impulsionada pela ambição em querer sempre algo melhor, mas está se perdendo na ganância que se aflora quando alguns querem só para si. A ganância representa o lado negativo da ambição e acontece quando perdemos a noção do certo e errado, e passamos em cima de tudo e todos a fim de realizar os nossos desejos. Quando a ganância apresenta seu lado vil, os fins sempre justificam os meios.

No decorrer das últimas décadas, as pessoas pararam de enxergar propósito naquilo que faziam dentro das empresas, porque para os gestores isto já não era mais tão importante quanto o fato de o funcionário saber como fazer seu trabalho. Este tipo de comportamento negativo fez com que as pessoas parassem de se reconhecer na obra em que trabalhavam. Quando você bate martelo todo dia em uma parede, mas não sabe a razão, o porquê das marteladas, acaba desmotivado e alienado. A espiritualidade no trabalho opera justamente sobre esse vazio existencial na alma dos profissionais, ou seja, busca conectar todos a um propósito. Para tanto, convida todos a olhar para dentro de si mesmos. O objetivo é que você comece a se questionar: por que estou trabalhando nisso? É isto que quero para minha vida? Tenho qualidade de vida? E o mais importante: sou feliz?

Aos poucos, as pessoas começam a despertar do sono profundo que as afastavam dos “porquês”. Este momento, que no futuro deverá ser tratado como marco na história da humanidade, tem a ver com o atual estágio evolucionário do planeta e seus habitantes. Alguns chamam este momento de Era de Aquário. Eu prefiro o termo Revolução Espiritual. Assim como a Revolução Industrial e a Revolução Digital foram determinantes para transformar radicalmente o mundo a nossa volta, a Revolução Espiritual em andamento irá redefinir e transformar para melhor nossas relações de vida e trabalho.

A espiritualidade vem suplantar o materialismo e propor um novo modelo ao saturado sistema capitalista vigente. Trata-se de uma quebra urgente e necessária dos tradicionais paradigmas aos quais estamos habituados. Nesse aspecto, a crise instalada com o estouro da bolha hipotecária tem seu lado positivo, afinal, o homem costuma se mover apenas frente às adversidades que desafiam sua zona de conforto. É aquele velho ditado: “mudamos pelo amor ou pela dor”. Na maioria das vezes, a mudança acontece pela dor. É no limiar das grandes crises que a humanidade avança! Assim como a doença, as crises que enfrentamos em nossas vidas e em sociedade são alavancas para nosso processo de transformação e evolução na Terra.

Antes de seguir adiante é preciso deixar claro que as críticas ao capitalismo apresentadas aqui não são uma defesa em nome de outros sistemas sociopolíticos, como o socialismo ou o comunismo, por exemplo, que se mostraram falhos também, principalmente no que diz respeito à supressão aos direitos humanos e à liberdade de expressão da população, sem falar no fracasso da distribuição de renda igualitária. O que defendo aqui é a adoção paulatina de um novo capitalismo, mais humano, que coloque a sociedade em primeiro lugar, ao invés dos interesses individualistas e mesquinhos de executivos e acionistas de uma empresa. Pode parecer utopia à primeira vista, mas tal sistema não contradiz a busca pelo lucro. No entanto, enxerga no lucro um meio e não um fim. Esta nova visão possibilita não apenas lucro, mas principalmente perenidade e diferencial competitivo no mundo dos negócios.

É preciso, no entanto, rever nossos paradigmas, questionarmos as “verdades absolutas” que norteiam nossas vidas, e darmos chance para que a possibilidade de mudança aconteça. Só quando abrimos espaço para o “novo” na nossa vida, algo de bom acontece. Você precisa jogar fora as roupas velhas do seu armário para abrir espaço para as novidades das quais pretende desfrutar. Continuar fazendo tudo igual e esperar resultados diferentes com a repetição de modelos tradicionais é loucura. E você, está pronto para rever seus conceitos? Abra sua mente…

Autor: Fernando Ferragino

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