Em busca da harmonia… | Espiritualidade nos Negócios

Em busca da harmonia…

Sergio Chaia: “O sucesso só tem sentido se responder a um propósito maior. Isso, sim, traz felicidade.”

Embora a espiritualidade ainda seja um conceito relativamente novo e “estranho” no ambiente corporativo, é sempre alentador perceber que alguns empresários estão despertando para este tema e percebendo os ganhos positivos que o aprendizado espiritual pode trazer tanto para as corporações, ao melhorar o ambiente de trabalho, como também para si próprios. A trajetória do executivo Sergio Chaia ilustra esse caminho rumo ao despertar. Chaia construiu carreira em grandes corporações no Brasil, onde durante os últimos seis anos, comandou as operações da Nextel. Enquanto a carreira meteórica do executivo decolava, sua saúde percorria o caminho oposto. Incomodado com o tumulto mental que o impedia de ter noites de sono reparadoras, certo dia, Chaia perguntou ao lama Kalden Tulku Rinpoche, fundador do Centro Busdista Djampel Pawo, na Vila Olimpia, em São Paulo: “Qual é o meu problema?” A resposta: “Você é muito inteligente e pouco sábio”. Começou aí sua busca por autoconhecimento, saga contada no livro “Será que é possível? Aprendizados, histórias e resultados na busca da harmonia entre a vida profissional, pessoal e espiritual”. Confira a entrevista com Sergio Chaia, publicada pela revista Bons Fluídos.

O que o levou ao encontro da meditação?
Como sempre fui muito dedicado ao trabalho, a partir dos 20 anos de idade comecei a ter dificuldade para dormir. Despertava no meio da madrugada e ficava pensando nos assuntos profissionais. Pela manhã, me enchia de café para dar conta das tarefas. Há dez anos, já muito cansado, fui apresentado ao lama Kalden, com quem aprendi a desenvolver uma mente sábia, aquela que tem consciência dos pensamentos e sabe privilegiar os bons, geradores de ações virtuosas. Na sabedoria, você guia os seus pensamentos, na inteligência, sua mente o domina.

E qual foi o caminho indicado pelo mestre?
Ele me passou um mantra em sânscrito associado à sabedoria para ser repetido muitas vezes, o que ampliaria a consciência sobre meus pensamentos. Comprei um mala (cordão composto de 108 contas) e passei a recitar os dizeres todos os dias dentro do carro, no trajeto de casa para o trabalho. Combinamos um número de repetições a ser atingido. Há cerca de dez anos corro atrás dessa meta.

Você deu uma guinada após a incorporação desse hábito?
Sem dúvida. Se, por um lado, não consigo controlar meus pensamentos, por outro, adquiri consciência. Quando consigo descartar os pensamentos ruins e ficar com os bons, é como se eu ganhasse de mim mesmo, me afastando da inteligência grosseira e me aproximando da sabedoria. Isso me dá a sensação de plenitude e evolução. Estou muito mais sereno. Antes, as pressões e os problemas eram meus inimigos, hoje os trago para perto de mim, examino-os, compartilho minhas questões com pessoas que podem me ajudar.

Como a meditação o ajudou a se tornar um líder melhor?
Passei a prestar atenção em como as coisas podem ser feitas e a dirigir a raiva e o ressentimento de outro jeito. Por exemplo, você pode dar um chacoalhão num colaborador de maneira menos abrupta e mais construtiva. Também aprendi a dedicar uma hora do dia para resolver o problema de alguém nas vezes em que estou enfrentando algum obstáculo. A solução chega de forma muito mais rápida e abrangente. Ao ajudar o outro, você também é ajudado de alguma forma pelo Universo.

Que conselho você daria a quem ainda não encontrou o equilíbrio entre a vida pessoal, profissional e espiritual?
A primeira coisa é ter consciência de que você precisa desse equilíbrio, senão a conta chegará mais tarde. A segunda é não separar essas três instâncias. Se você fizer isso, ficará devedor em cada uma delas. Integrar esses três pilares é a melhor maneira de aumentar a harmonia. Outro grande aprendizado está em compreender que o sucesso só tem sentido se responder a um propósito maior. Isso, sim, traz felicidade.

 

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