"A crise ensinou que as empresas são cínicas" | Espiritualidade nos Negócios

"A crise ensinou que as empresas são cínicas"

Em uma entrevista publicada nesta semana no site da revista “Época Negócios”, o filósofo e educador Mario Sergio Cortella foi taxativo: “a crise ensinou que as empresas são cínicas”, fazendo referência aos cortes que as empresas fizeram durante a crise de 2008. Desde que iniciei este blog, tenho batido nesta tecla, ou seja, sobre a necessidade de mudança real que as empresas precisam adotar, alinhando de forma verdadeira o discurso à prática (quem tiver interesse, pode ler mais sobre esse assunto na série de posts “Pra entender a crise de 2008”, publicada em 2012).

Separei alguns trechos da entrevista com Cortella abaixo, onde ele fala sobre inovação, ganância e liderança. Confira:

Inovação
“Para a inovação acontecer é preciso aprender duas coisas: distinguir o que é novo do que é mera novidade e pensar que o novo não é só aquilo que é novidade. Pode ser o antigo revitalizado. O que fez o Cirque Du Soleil? Deu ao espetáculo mais antigo da terra uma revitalização enorme. Eles fizeram o que era inacreditável. Criaram um espetáculo que é caro à beça. O circo era a mais barata das atrações há 30 anos. Vende ingresso com meses de antecedência e é objeto de desejo de empresas para patrocínio. Isso mostra que a inovação não é sempre inédita, mas também não pode não existir.”

Ganância
“As empresas têm que buscar sempre mais e melhor. Isso é decisivo. Mas não pode querer só para ela. Há diferença entre ambição e ganância. Estamos uma crise que começou quando o mercado substituiu a virtude da ambição por um vício, o da ganância. Ambicioso é aquele que quer mais e melhor. Ganancioso é o que quer só para si a qualquer custo. O mercado implantou o único lema que não pode ser implantando. ‘Que é fazemos qualquer negócios’.”

Empresa cínica
“Uma empresa não pode ser cínica. A crise ensinou que as empresas são cínicas. A frase que eu mais ouvia antes da crise de 2008 era: ‘nosso maior ativo são as pessoas’. Quando começou a crise em 17 de setembro de 2008, o primeiro lugar onde o facão passou foi nas pessoas. Ninguém em sã consciência, se acreditasse mesmo nisso, não cortaria tanto o quadro de funcionário. Teria cortado o lucro do acionista, acertava a estrutura de produção. Mas não. O jeito mais fácil é cortar pessoas. Ou seja, praticar o que se ensina e ensinar o que se pratica.”

Liderança
“Eu diria que há três trilhas para o sucesso:
– generosidade mental: para se compartilhar competência
– coerência ética: para praticar o que ensina
– humildade intelectual: para perguntar o que ignora
Ou seja, ter capacidade de buscar o que ainda não sabe para saber cada vez melhor. Liderança tem que ser exemplar. Chefe você obedece, líder você admira e segue. Por isso, o chefe precisa se preparar para ser líder. Empresas mais evoluídas preparam seus líderes para serem chefes. Liderança é uma função, não um cargo.”

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