“Se é para ser verde, tem de ser de verdade” | Espiritualidade nos Negócios

“Se é para ser verde, tem de ser de verdade”

Mark Parker, CEO mundial da Nike

Sabe aquele velho e manjado ditado: há males que vêm para o bem? Pois bem, ele se aplica também às corporações. No final dos anos 90, um escândalo manchou o prestígio da até então inabalável Nike. Atrelada sempre a imagem popular dos atletas superstars que sempre patrocinou, de uma hora para outra, a marca viu sua reputação ir para o ralo em meio a graves denúncias de que estaria empregando mão de obra infantil nas fábricas terceirizadas, na Ásia, que fabricavam seus tênis. O escândalo ganhou proporção mundial e ainda hoje faz parte do inconsciente coletivo de alguns consumidores e de muitos jornalistas… O lado bom dessa história toda é que a Nike soube tirar proveito desta crise para fazer a lição de casa e aprender com o erro. Uma década depois, a Nike é hoje reconhecidamente uma das empresas líderes mundiais em inovação orientada à sustentabilidade. A empresa se preocupa hoje não apenas com a mão de obra contratada por seus fornecedores, como também pelo destino que os tênis produzidos pela marca terão após serem descartados pelos consumidores. Por isto, investe cada vez mais em tecnologias inovadoras e verdes, que permitam o uso de materiais que possam ser recicláveis ou tenham baixo impacto no meio ambiente após o descarte. Em meio à crise, a Nike aprendeu um dos princípios da espiritualidade aplicada aos negócios: que o compromisso de não causar danos ao meio ambiente e às pessoas se aplica a toda cadeia de negócios. E que esta responsabilidade deve ser compartilhada por todos os elos da cadeia. Em uma entrevista recente para a revista Veja, o CEO mundial da Nike, Mark Parker, falou sobre a importância da sustentabilidade para a marca. Confira:

A Nike foi alvo de denúncias de trabalho infantil no fim da década de 90. O que mudou desde então?
Foi uma das épocas mais difíceis da toda a história da empresa. A crise que as denúncias desencadearam fez com que nos transformássemos profundamente. Passamos da total ignorância sobre como nossos fornecedores trabalhavam para uma vigilância estrita. Ficou claro que não era mais possível não assumir responsabilidade sobre quem nos prestava serviço. Foi aí que criamos uma divisão de sustentabilidade corporativa, na qual há gente dedicada exclusivamente à inspeção das fábricas e dos fornecedores dos quais compramos. Não se trata apenas de estar do lado certo. Quem não atentar hoje para questões como essa acabará sucumbindo.

Fazer produtos sustentáveis não encarece a produção?
A curto prazo, pode ser que sim. Ao longo prazo, porém, a tendência é que ocorra justamente o contrário. Por exemplo: uma das nossas metas é reduzir em 15% o uso de água até 2015. Para chegarmos lá, investiremos pesado em uma nova tecnologia de tingimento de tecidos – a seco. Hoje, roupas desse tipo são mais caras, mas quando essa tecnologia estiver funcionando em larga escala, tudo indica que fará diminuir significativamente o desperdício de recursos e o uso de mão de obra.

Iniciativas assim são um bom trunfo para o marketing?
Elas ajudam, mas só se sustentam se fizerem realmente diferença. Em uma empresa grande e tão vigiada como a Nike, a divulgação de uma falsa imagem seria facilmente percebida. Se é para ser verde, tem de ser de verdade. E é bom para os negócios. Ao longo da nossa história, tivemos de nos reinventar várias vezes. Está acontecendo agora.

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