Usuários compartilhantes do planeta | Espiritualidade nos Negócios

Usuários compartilhantes do planeta

“Sempre houve o suficiente no mundo para todas as necessidades humanas. Nunca haverá o suficiente para a cobiça humana”
Gandhi

No mês em que comemoramos o Dia da Terra (celebrado mais precisamente no dia 22 de abril), tomo a liberdade de publicar neste espaço alguns trechos de “A parte que nos cabe…”, capítulo do livro “Não se desespere!”, do filósofo Mario Sergio Cortella. Neste capítulo, Cortella fala sobre o buraco ambiental onde a humanidade se atolou e discorre sobre o “biocídio” que estamos praticando nas últimas décadas, isto é, a eliminação de variadas formas de vida no planeta, inclusive a nossa, claro.

Para ele, este genocídio ambiental anunciado não se trata de pessimismo, ou de previsão catastrófica sobre o futuro, mas de fatos que podem ser observados…

“É só observar, por exemplo: há 150 anos a maior floresta de Araucária do mundo ficava nos estados brasileiros do Paraná e Santa Catarina… A Araucaria angustifólia conseguiu resistir à última glaciação no planeta e sobreviveu exuberante por mais de um milhão e meio de anos; agora em nosso país, não chega a 4% a área original de árvores dessa espécie. O que a glaciação não desfez em alguns milhões de anos, nós, espécie agora predatória, aniquilamos em um século e meio!

Isso tudo resulta da soberba daqueles que se arvoraram em ‘proprietários’ do planeta, em vez de ‘usuários compartilhantes’. Há uma regra básica no Sistema-vida: simbiose, vida junto, interdependência na biodiversidade. Esquecemos isso?

A nossa arrogância é tamanha que agora estamos vivendo à sombra do derretimento veloz das colotas polares, as alterações inauditas oriundas do aquecimento global, a desertificação das florestas, a contaminação das águas. Em função disso, alguns até acham que vamos em breve extinguir a vida no planeta.

Bobagem. A vida é anterior a nós aqui e sucederá sem dificuldade. O desaparecimento será, isso sim, da nossa espécie e mais algumas que levaremos conosco nessa aventura biocida.

Catastrofismo, de novo? De modo algum. Afinal, o que é que faz um copo transbordar? A primeira gota ou a última? Claro que é qualquer uma delas, pois se retirada uma e apenas uma, o transbordamento não acontecerá.

É hora urgente de ver qual gota nos cabe retirar desse copo próximo à imundície. Não é uma questão genérica, delegada apenas aos governantes e gigantes econômicos; é nossa demanda prioritária e que, se tardar na reação, cairá na consagrada armadilha da pura espera…”

Será que ainda temos salvação? Na visão de Cortella, o problema é difícil, mas não é invencível.

“Menos cinismo, menos egocentrismo, menos vida imunda, e já conseguiremos sustentar o futuro. Sabemos: sustentabilidade é exatamente a nossa capacidade de existir de modo pleno sem esgotar as estruturas que geram tal existência, renovando-as e protegendo sua multiplicação.

E a parte que nos cabe? Bem, o conselho é clássico: a primeira coisa a fazer para sair de lá, quando se está no fundo do poço, é para de cavar…”

Fonte: “Não se desespere! Provocações filosóficas”

Compartilhe

Deixe um comentário

Seu e-mail não será publicado.


*