Florescer: a importância de estar aberto para a vida, prestar atenção aos sinais e colher os presentes que o universo nos dá | Espiritualidade nos Negócios

Florescer: a importância de estar aberto para a vida, prestar atenção aos sinais e colher os presentes que o universo nos dá

Você é um acumulador de coisas ou de experiências? A porta do seu coração está aberta ou fechada para as novas experiências que a vida oferece? Na pressa do dia a dia, não paramos pra pensar sobre a importância destas questões e seus impactos na nossa vida. O fato é que o medo (da violência, do risco, do novo… da vida!) nos paralisa e, somado ao conformismo e à correria, faz com que permaneçamos fechados para novas vivências e oportunidades de transformação.

Permanecemos como uma flor que não desabrocha por medo de perder suas pétalas face à brisa do vento ou à imprevisibilidade da natureza. Esta sensação de segurança é uma ilusão. Ao permanecer fechada em si mesma, a flor perde o contato com os raios de sol, não vivencia o toque da chuva, assim como a troca de experiência (ou pólen) em seu habitat por meio dos pássaros e insetos que a visitam. Ao adotar esta postura, a flor não cumpre seu papel na natureza… adoece, resseca e se esvai sem experimentar o frescor , as fragrâncias e as diferentes nuances da vida. Deixa assim de embelezar a paisagem para viver reclusa, presa em meio a uma falsa ideia de segurança e proteção.

Às vezes é preciso que uma vaca caia, literalmente, do céu para que a gente desperte para a vida. Isso mesmo, achou estranho?! Pois é justamente o que acontece em “Um conto chinês”, filme argentino de 2011 dirigido por Sebastián Borensztein e estrelado por Ricardo Darín e Ignacio Huang. O filme conta a história de Roberto (interpretado pelo sempre excelente Darín), um argentino recluso e mal humorado que odeia o contato com outras pessoas e evita a todo custo as constantes investidas de Mari (Muriel Santa Ana), personagem apaixonada pelo olhar triste, porém, honrado de Roberto.

Cena do filme "Um conto chinês"

Cena do filme “Um conto chinês”

Dono de uma loja de ferragens em Buenos Aires e extremamente metódico, Roberto passa os dias atrás do balcão contando parafusos e resmungando da vida. Seu único passatempo é colecionar notícias bizarras e surreais publicadas no jornal, como a história de uma vaca que, certa vez, despencou do céu e atingiu um barco em uma província chinesa, matando a mulher que estava a bordo. Para ele, estas notícias são a prova de que a vida não tem sentido. A amargura de Roberto tem amarras no passado. Sua mãe morreu quando ele nasceu e o pai (italiano que imigrou para Argentina para fugir da guerra na Europa) faleceu sozinho e desiludido, anos mais tarde, depois de ver uma foto estampada na capa do jornal de Roberto segurando uma arma, no campo de batalha da guerra das Malvinas. Definitivamente, para Roberto, a vida não fazia sentido…

O que ele jamais imaginava é que esta mesma vida sem sentido estava prestes a colocar em xeque todas as suas certezas. A vida de Roberto dá uma guinada de 360° quando o destino coloca em seu caminho Jun (Ignacio Huang), um chinês que, sem saber falar uma palavra sequer em espanhol, perambula perdido pelas ruas de Buenos Aires em um busca de um tio que há anos não via. Mesmo relutante e contrariado (e resmungando sem parar), Roberto se sensibiliza com a situação de Jun, decidi lhe dar abrigo e ajudá-lo a encontrar o tio (até porque esta é a única maneira de fazer com que o chinês saia de sua vida e da sua casa). A convivência com Jun, no início estressante, muda a forma como Roberto enxerga a vida. No final (não vou dar detalhes pra não estragar a surpresa de quem ainda não viu o filme), Jun faz com que Roberto enxergue com clareza algo que sempre esteve embaixo do seu nariz: que a felicidade sempre esteve à sua espreita e dependia exclusivamente da sua mudança de atitude frente à vida.

Lembra da história da vaca relatada no jornal? Pois bem, o cara no barco era justamente Jun, o chinês que agora vivia na casa de Roberto. Ele decide procurar o tio na Argentina justamente após a morte da noiva. Ou seja, se não fosse pelo acidente (surreal) com a vaca, Jun e Roberto nunca teriam se conhecido e Roberto continuaria fechado para vida, preso a um passado que não mais existe e com medo da ventania. De repente, a vida e as coisas esquisitas que acontecem no meio do caminho começam a fazer sentido…

No caminho de Compostela
Essa história me lembrou uma conversa que tive com um amigo que percorreu no ano passado um dos caminhos de Santiago de Compostela. Após passar por alguns problemas pessoais sérios e ficar perdido, ele tomou a decisão de encarar a jornada mística em busca de uma nova direção para sua vida. A parte curiosa da história é que durante a trilha, ele disse ter encontrado vários “anjos” que trouxeram respostas para as perguntas e dilemas que o atormentavam. Na verdade, durante sua peregrinação, ele se abriu, talvez pela primeira vez, para a vida e para o “inesperado” com o qual o amanhã sempre nos presenteia. Esteve aberto para conversar com estranhos (“e se o cara me assaltar, pedir dinheiro ou me amolar com alguma coisa? Não tenho tempo pra isso” – é sempre nosso primeiro pensamento, não é mesmo?), parou para ouvir e refletir sobre aquilo que as pessoas falavam. Assim como Roberto, o personagem do conto chinês, meu amigo passou a reparar pela primeira vez nos sinais – ou nas setas, como dizia o poeta brasileiro Waly Salomão parafraseado por Marcelo Yuka – que a vida dá. Decidiu seguir as setas e voltou para o Brasil transformado e feliz.

Não é preciso atravessar o Atlântico para enxergar estes sinais e dar uma direção nova na sua vida. As respostas para nossas dúvidas estão dentro de nós. É necessário, antes de tudo, rever e mudar a sua postura, questionar as velhas crenças e hábitos, olhar para a paisagem conhecida com olhos de criança, encarar o fato de que o risco e o fracasso são etapas necessárias a todo aprendizado, aceitar que segurança e controle são ilusões, desapegar das coisas que não agregam mais e criar espaço para que novas sementes possam germinar no coração. Assim como um bebê, a felicidade também precisa ser gestada e nutrida para que um dia se transforme e floresça sem medo do vento e das intempéries da natureza. Afinal, tudo isto faz parte do processo da vida.

Autor: Fernando Ferragino

Em tempo: pra quem achou a ideia da vaca caindo do céu uma coisa totalmente absurda (cena digna de um filme de Paul Thomas Anderson, o diretor de “Magnólia”), saiba que isto aconteceu de verdade, só que não na China, mas no Japão. Por incrível que pareça, o filme é baseado em fatos reais. Veja o trailer.

 

Ainda não acredita em mim? Veja a reportagem veiculada por um canal russo que comprova: vacas podem mesmo cair do céu…

 

 

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