Neste Dia da Terra, mude o mantra: antes de Reciclar, Conserte! | Espiritualidade nos Negócios

Neste Dia da Terra, mude o mantra: antes de Reciclar, Conserte!

Aproveite a celebração do Dia da Terra (22 de abril) para repensar suas atitudes. Todos já conhecem o mantra do modo de vida sustentável: “reduza, reutize, recicle”. Existe, entretanto, uma razão para que a reciclagem seja o último item desta lista. Quando o assunto são eletrônicos, a reciclagem deveria ser a última opção. E não a primeira. Antes de atacar a primeira pedra, calma que eu explico…

No ano passado, 1,75 bilhão de celulares foram vendidos para consumidores em todo o planeta. Ao final de 2013, 240 milhões de tablets e 207 milhões de PCs foram produzidos e comercializados.

A gente não para pra pensar no assunto, mas o laptop na sua mesa, o celular no seu bolso e o tablet nas suas mãos são compostos de diversos materiais, como cobalto, cádmio, níquel, chumbo, cobre e ouro. Um simples celular, por exemplo, tem em sua composição de 500 a 1.000 componentes, alguns extraídos de países que não são particularmente reconhecidos por práticas seguras de mineração, direitos humanos ou padrões ambientais.

As extrações destes minérios crescem na mesma proporção que a demanda por novos equipamentos eletrônicos. Nos últimos 10 anos, a produção de ferro aumentou em 180%, a de cobalto cresceu 165% e de lítio 125%. A cada ano, as mineradoras precisam cavar mais fundo, produzindo mais restos (perdas) por menos materiais. Os depósitos de cobre têm, por exemplo, um décimo da pureza do minério escavado 100 anos atrás. A mineração e produção de uma onça de ouro cria aproximadamente 80 toneladas de desperdício.

Apesar do discurso utilizado pelos fabricantes, não existe um eletrônico 100% verde.

Apesar de todo o investimento feito na linha de produção, os “gadgets” atuais são notoriamente descartáveis. Os celulares têm uma vida útil de aproximadamente 18 meses. As baterias de laptops e tablets perdem a capacidade de carregar completamente depois de somente alguns anos de uso.

A atração irresistível provocada por dispositivos mais finos, mais rápidos e com design diferente faz com que o consumidor almeje a troca incessante de eletrônicos, e com isto, acelera o processo de redução da vida útil dos aparelhos. Trata-se de um enorme desperdício de recursos, ainda mais quando verificamos que 70% da energia que um laptop utiliza em sua vida é consumido durante o processo de fabricação. Toda esta energia é perdida quando um dispositivo é destruído.

O pior de tudo é que muitos dos componentes – inclusive materiais raros – não podem ser recuperados durante a reciclagem. Você não pode fazer um novo laptop de um laptop reciclado.

Sim, a reciclagem recupera muito dos componentes. E sim, a reciclagem é muito “menos pior” do que simplesmente descartar seu celular numa lixeira. Mas quando se trata de meio ambiente, está na hora de parar escolhermos o “menos pior”. Está na hora de optarmos por aquilo que é “bom”.

Neste aspecto, o conserto dos aparelhos é uma alternativa melhor melhor do que a reciclagem. O reparo estende a vida dos eletrônicos. Deixa as aparelhos longe dos aterros e dos trituradores. Cada aparelho celular consertado é um a menos que precisa ser produzido. Cada laptop salvo do triturador diminui a pressão sobre os recursos finitos já sobrecarregados. Cada upgrade feito no computador faz com que o aparelho possa ser repassado para um segundo, um terceiro ou um quarto usuário antes que precise, efetivamente, ser reciclado.

Neste Dia da Terra, não largue seu celular quebrado ou seu computador velho em qualquer canto. Conserte-os. E continue utilizando-os… ou dê para alguém. Esta mudança de hábito representa uma ação efetiva e tangível em um mundo de recursos cada vez mais escassos e indispensáveis aos produtos que estamos habituados a usar.

Reduza. Reutilize. Repare. Então Recicle.

Autor: texto baseado no artigo de Elizabeth Chamberlain e Kyle Wiens (iFixit) – treehugger
Edição: Fernando Ferragino

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