Greenwashing e o medo da mudança | Espiritualidade nos Negócios

Greenwashing e o medo da mudança

Para o jornalista especializado em sustentabilidade, André Trigueiro, enquanto o “ecocídio” for um risco, o Dia Mundial do Meio Ambiente continuará cumprindo uma função importante no calendário. Neste artigo, ele fala sobre o greenwashing praticado por empresas oportunistas, o custo da inação e a urgência de mudarmos o ciclo de produção e consumo antes que seja tarde demais.

Leia o artigo publicado no blog “Mundo Sustentável”:

Desde que o Dia Mundial do Meio Ambiente foi instituído há 42 anos – durante a 1ª Conferência da ONU sobre Meio Ambiente, em Estocolmo – o dia 5 de junho vem servindo de pretexto para diferentes ações (mais ou menos sustentáveis) que ocorrem nesta época do ano para reforçar o suposto compromisso de governos, empresas, instituições de ensino, organizações civis e religiosas em favor da vida no planeta.

Tal como se dá com outras efemérides como o Dia da Mulher, do Negro, do Índio, entre tantas outras datas impregnadas de um sentido quase subversivo (que tenta desconstruir a cultura dominante em favor de outros valores considerados mais modernos e ajustados a um novo desenho de civilização), o Dia do Meio Ambiente tenta soar como o “grilo falante” que constrange os que, por ignorância ou má fé, realizam escolhas que atentam – em maior ou menor escala – contra a capacidade da Terra nos suprimir do essencial: água limpa, solo fértil, ar puro.

É curioso – quase engraçado – testemunhar o esforço com que grandes poluidores realizam campanhas milionárias nesse período tentando “esverdear” a própria imagem, como se os recursos investidos para esse fim fossem suficientes para apagar rastros de desonestidade e miopia gerencial.

Na era das redes sociais, quem investe mais em publicidade do que em reengenharia (maquiando ou supervalorizando resultados na área ambiental) fica exposto a campanhas voluntárias que denunciam o “greenwashing” e se viralizam com a força de um tsunami.

Mudar é uma palavra que assusta. Em tempos de crise ambiental sem precedentes na História da Humanidade, não mudar deveria assustar muito mais. Se ainda não mudamos no ritmo e na escala desejados, é porque nem todos os que compreenderam o senso de urgência que deveria reger esta gigantesca “concertación” planetária se deram conta do chamado “custo da inação”. Fazer como sempre se fez (business as usual) é a senha para o desastre, a ruptura, o colapso que determinaremos na capacidade dos ecossistemas proverem a nossa espécie daquilo que retiramos sistemática e violentamente sem pensar no amanhã.

Gerar emprego e renda sem exaurir os recursos naturais não renováveis. Fazer a conta de trás para frente, observando se o planejamento econômico considera os limites da Terra. Corrigir o rumo antes que seja tarde. Nossa espécie tem muitos defeitos, mas não viemos ao mundo para nos autodestruir. Enquanto o ecocídio for um risco, o Dia Mundial do Meio Ambiente continuará cumprindo uma função importante no calendário.

Fonte: André Trigueiro – G1

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