Felicidade no Trabalho: 5 motivos que fazem os dinamarqueses serem mais felizes e produtivos no trabalho | Espiritualidade nos Negócios

Felicidade no Trabalho: 5 motivos que fazem os dinamarqueses serem mais felizes e produtivos no trabalho

Para a maioria dos dinamarqueses, o trabalho não é apenas uma forma de receber salário, mas uma maneira de ser feliz. Esta filosofia está tão impregnada na cultura do país, que eles até possuem uma palavra exclusiva – “arbejdsglæde” – para designar a “felicidade no trabalho”. Contrário ao culto ao excesso de trabalho existente na maioria das organizações – onde a ideia de eficiência e competência está sempre associada à quantidade de tempo (a mais) que um funcionário passa no escritório -, a gestão dinamarquesa reconhece e defende o equilíbrio entre lazer e trabalho, e investe na capacitação contínua e no “empoderamento” dos funcionários (as “ordens” dos chefes são sempre entendidas como “sugestões” e empresas com mais de 35 funcionários são obrigadas a abrir o conselho diretivo à participação de representantes eleitos pelos empregados).

Além disso, há também (pasmem!) um programa de benefícios para desempregados, onde uma pessoa consegue receber quase 90% do seu último salário durante cerca de dois anos, o que faz com que as pessoas não pensem duas vezes ao se sentirem infelizes e decidirem procurar por um novo emprego, sem mencionar o fato de que as empresas preocupam-se em investir em programas de retenção para não perder o empregado para a concorrência. É o que revela Alexander Kjerulf , expert no tema “felicidade no trabalho” e autor do livro “Happy Hour is 9 to 5: How to love your job, love your life and kick butt at work”. Não à toa, segundo Kjerulf, a Dinamarca é presença constante no topo dos rankings que mensuram os países mais felizes do planeta, assim como se destaca entre os países mais produtivos da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE. Não custa lembrar que funcionários mais felizes produzem mais e que este engajamento é um diferencial importante no produto ou serviço entregue ao cliente que, por sua vez, também fica feliz com o atendimento prestado (olha o karma em ação!). No texto abaixo, Kjerulf faz uma comparação entre o estilo de gestão existente entre as empresas norte-americanas e dinamarquesas e explica, em cinco pontos, porque os dinamarqueses são mais felizes no trabalho. A lição também serve pra gente. Confira:

É comum ver a Dinamarca na lista de pesquisas como o “país mais feliz do planeta”. Curiosamente, os dinamarqueses não são apenas felizes em casa. Eles também são felizes no trabalho. De acordo com a maior parte das pesquisas que medem a satisfação do trabalhador entre as nações, os funcionários mais felizes do mundo estão na Dinamarca. Já os EUA? Nem tanto… Uma recente pesquisa do Gallup descobriu que 18% dos trabalhadores americanos estão ativamente desengajados, o que significa que eles são “emocionalmente desconectados de seus locais de trabalho e menos propensos a ser produtivos”. O número de trabalhadores dinamarqueses nesta mesma situação é de apenas 10%. Mas, afinal, por que os trabalhadores dinamarqueses são tão felizes? Aqui estão cinco diferenças fundamentais.

1. Jornada de trabalho razoável
Certa vez, conversei com um americano que tinha conseguido um emprego como gerente de uma empresa dinamarquesa. Querendo provar o seu valor, ele fez o que sempre fazia e passou a se dedicar entre 60 a 70 horas por semana ao trabalho. Depois de um mês, seu gestor o convidou para uma reunião. Ele esperava ser elogiado por seu trabalho duro, mas ao invés disso foi surpreendido com a pergunta: “Por que você trabalha tanto? Tem algo errado? Você tem problema em delegar? O que podemos fazer para corrigir isso?”.

Alguns estrangeiros se perguntam se os dinamarqueses trabalham algum dia. Não só os dinamarqueses tendem a deixar o trabalho em uma hora razoável na maioria dos dias, mas eles também têm direito a 5-6 semanas de férias por ano, vários feriados nacionais e até um ano de licença de maternidade/paternidade remunerada. Enquanto o americano médio trabalha 1.790 horas por ano, o dinamarquês médio trabalha 1.540, de acordo com as estatísticas da OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico. Dinamarqueses também têm mais horas de lazer do que quaisquer outros trabalhadores da OCDE, e a relação entre lazer e felicidade está bem estabelecida na pesquisa.

A diferença nos EUA é gritante, e muitas empresas americanas comemoram o excesso de trabalho como um sinal de compromisso. “Você tem que colocar na hora” é a mensagem na crença equivocada de que quanto mais horas você trabalha, mas eficiente é a sua entrega. Chamamos isso de “O Culto ao Excesso de Trabalho”. As empresas dinamarquesas, por outro lado, reconhecem que os funcionários também têm uma vida fora do trabalho e que trabalhar 80 horas por semana é ruim para os funcionários em geral.

2. Baixa distância de poder
Nos EUA, quando o seu chefe lhe dá uma ordem, você faz aquilo que ele mandou. Em um ambiente de trabalho dinamarquês, pouquíssimas ordens diretas são dadas e os funcionários são mais propensos a vê-las como sugestões.

O sociólogo holandês Geert Hofstede quantificou a cultura de negócios em mais de 100 países, em vários parâmetros, sendo um deles a “distância de poder”. A distância de alta potência significa que os chefes são reis incontestáveis, cuja palavra é lei. Locais de trabalho nos EUA têm um raio de energia de 40, enquanto ambientes de trabalho dinamarqueses – com uma pontuação de 18 – têm a distância de poder mais baixa do mundo.

Isso significa que os funcionários dinamarqueses experimentam mais autonomia e são mais “empoderados” no trabalho. Um exemplo: por lei, qualquer empresa na Dinamarca com mais de 35 funcionários deve abrir assentos no conselho diretivo para os funcionários, que são eleitos para o conselho por seus pares e servem em pé de igualdade e com os mesmos poderes de voto de todos os outros membros do conselho.

3. Benefícios de desemprego generosos
Na Dinamarca, perder o seu emprego não é o fim do mundo. Na verdade, o seguro-desemprego parece bom demais pra ser verdade, dando aos trabalhadores 90% do seu salário original por dois anos. Nos EUA, por outro lado, perder o emprego pode facilmente levar uma pessoa ao desastre financeiro. Isto leva a uma “prisão no trabalho” (ou seja, ficar em um trabalho que você odeia), porque você não pode se dar ao luxo de sair. Além disso, até muito recentemente, perder o emprego nos Estados Unidos muitas vezes significava perder o plano de saúde, o que também contribuia para a prisão no trabalho.

Simplificando: se você é um dinamarquês e você não gosta do seu trabalho, suas chances de sair desse trabalho sem estar sujeito a sérios riscos financeiros são muito melhores, o que força as empresas a tratar bem os seus funcionários, sob o risco de perdê-los.

4. Treinamento constante
Desde meados de 1800, a Dinamarca tem focado na educação de seus trabalhadores ao longo da vida. Esta política continua até hoje, como parte de um plano extremamente bem elaborado entre governo, associações e políticas corporativas, que permitem a quase qualquer funcionário, que assim o desejar, participar de treinamentos pagos e adquirir novas habilidades. Esta inciativa é chamada “política de mercado de trabalho ativo”, e a Dinamarca gasta mais com esses tipos de programas do que qualquer outro país da OCDE.

Isso permite que os trabalhadores dinamarqueses possam constantemente crescer e se desenvolver e os ajuda a permanecer relevantes (sem mencionar o fato de ficar empregados), mesmo em um ambiente de trabalho em mudança.

5. Foco na felicidade
Enquanto os idiomas inglês e dinamarquês têm fortes raízes comuns, há, naturalmente, muitas palavras que só existem em uma língua e não na outra. E aqui está uma palavra que só existe em dinamarquês e não em Inglês: “arbejdsglæde”. “Arbejde” significa “trabalho” e “glæde” significa “felicidade”, então “arbejdsglæde” é “felicidade no trabalho.” Esta palavra também existe em outros idiomas nórdicos (Suécia, Noruega, Finlândia e Islândia), mas não é de uso comum em qualquer outra língua do planeta.

Por exemplo, se nós, escandinavos, temos “arbejdsglæde”, os japoneses, por sua vez, têm uma palavra chamada “karoshi”, que significa “morte por excesso de trabalho”. E isso não é coincidência. Há uma palavra para felicidade no trabalho em dinamarquês, porque os locais de trabalho dinamarqueses têm uma tradição de longa data de querer que seus funcionários sejam felizes. Para a maioria dos dinamarqueses, o trabalho não é apenas uma forma de ser pago; nós esperamos nos divertir no trabalho.

A atitude dos EUA em relação ao trabalho muitas vezes é bem diferente. Alguns anos atrás, eu dei uma palestra em Chicago, e um membro da plateia me disse que “É claro que eu odeio o meu trabalho, é por isso que eles me pagam para fazer isso!”. Muitos americanos odeiam seus trabalhos e consideram que isto é perfeitamente normal. Da mesma forma, muitos locais de trabalho dos EUA fazem pouco ou nada para criar a felicidade entre os funcionários, aderindo à filosofia de que “Se você está se divertindo, você não está trabalhando duro o suficiente”.

O resultado
Eu não estou tentando pintar as empresas dinamarquesas como utopias para os trabalhadores e empresas norte-americanas como buracos infernais de tirania. Existem locais de trabalho dinamarqueses ruins, assim como ambientes de trabalho americanos estelares – Zappos e Google são dois que eu pessoalmente visitei e estudei.

Mas estudos descobriram uma série de diferenças sistêmicas e culturais entre as duas nações que servem para explicar por que os trabalhadores dinamarqueses são, em média, muito mais felizes do que os americanos.

Isso vai muito além da felicidade. Sabemos a partir de qualquer número de estudos que trabalhadores felizes são mais produtivos e inovadores e que, consequentemente, as empresas felizes têm clientes mais felizes e ganham mais dinheiro. Isso pode ajudar a explicar porque os trabalhadores dinamarqueses estão entre os mais produtivos na OCDE e porque a Dinamarca tem resistido à crise financeira relativamente bem, com uma taxa de desemprego atual de apenas 5,4%.

 

Autor: Alexander Kjerulf , “Diretor Chefe de Felicidade”, é especialista no tema “felicidade no trabalho” e autor do livro “Happy Hour is 9 to 5: How to love your job, love your life and kick butt at work”. Fast Company
Tradução/Adaptação: Fernando Ferragino

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