Pegada ecológica no vermelho | Espiritualidade nos Negócios

Pegada ecológica no vermelho

Segundo dados da Global Footprint Network (GFN), organização de pesquisa que mede a pegada ecológica do homem no planeta, em menos de 8 meses esgotamos todos os recursos que a natureza é capaz de oferecer de forma sustentável no período de um ano. 19 de agosto marca o “Earth Overshoot Day 2014”, a data em que a humanidade esgotou o orçamento de recursos disponíveis na natureza para todo o ano de 2014. Em outras palavras, a partir desta data, entramos no SPC planetário, na lista de devedores da mãe Terra, sem previsão de algum dia pagar a dívida deixada para as futuras gerações. Até o final deste ano, vamos manter o nosso déficit ecológico mediante a redução das reservas de recursos locais e acumulação de dióxido de carbono na atmosfera. Estaremos operando em excesso.

EOD_2014_logo

Ao longo da maior parte da história, a humanidade tem usado os recursos da natureza para construir cidades e estradas, para fornecer alimentos e criar produtos, e para absorver o nosso dióxido de carbono a uma taxa que estava dentro do orçamento da Terra. Mas, em meados dos anos 1970, nós cruzamos um limiar crítico: o consumo humano começou a ultrapassar o que o planeta poderia reproduzir.

De acordo com os cálculos da Global Footprint Network, a nossa demanda por recursos ecológicos renováveis e pelos serviços em que são utilizados é agora equivalente ao de mais de 1,5 Terras. Ou seja, precisaríamos de dois planetas Terra para prover todos os recursos que utilizamos e consumimos ao longo de um ano.

Em termos planetários, os custos de nossos gastos excessivos ecológicos estão se tornando mais evidentes a cada dia. As mudanças climáticas – resultado de gases de efeito estufa que estão sendo emitidos mais rápido do que podem ser absorvidos pelas florestas e oceanos – são o resultado mais evidente e urgente desta dívida ambiental. Mas há outros: encolhimento das florestas, extinção de espécies, o colapso da pesca, aumento dos preços das “commodities” e distúrbios civis, para citar alguns.

Países no vermelho
A cada ano, os recursos naturais duram menos. No ano 2000, por exemplo, o “Earth Overshoot Day” aconteceu em 1º de outubro. Hoje, 72% da população mundial vive em países lutando com déficit da biocapacidade e baixa renda. Somente 14% da população global vive em países com mais biocapacidade do que pegada ecológica. Nós, brasileiros, integramos este seleto grupo de países, ao lado da Austrália, Canada e Finlândia, para citar alguns. Na outra ponta, Emirados Árabes Unidos, China, Japão, Estados Unidos, Qatar, Suíça, Itália, Reino Unido, Grécia, entre outros, estão entre os grandes devedores ambientais. Os Emirados Árabes encabeçam a lista de países com pegada ecológica no vermelho, com um déficit 12 vezes superior à capacidade de recursos naturais existentes no país.

Cradle to Cradle: design em prol de uma economia sustentável
O “Cradle to Cradle” (” do berço ao berço”, em uma tradução literal), é um movimento que ganha espaço frente às alternativas em pauta para a construção de uma economia sustentável. Idealizado pelo alemão Michaeal Braungart, professor de Hamburgo, o conceito parte da premissa de que todo produto deve ser basicamente projetado para se decompor sem causar nenhum dano, ou para ser reciclado sem perder a qualidade. É um conceito que inspira a inovação para criar um sistema produtivo circular “do berço ao berço” onde não existe o conceito de lixo. Tudo é nutriente para um novo ciclo e resíduos são de fato nutrientes que circulam em ciclos contínuos.

c2c-design-cycles

“Nosso mundo de produtos, hoje, é totalmente primitivo”, disse Michaeal Braungart ao Der Spiegel/Estadão. “Produzimos coisas repletas de poluentes que acabamos lançando na natureza.” Para o professor, nossas práticas são subdesenvolvidas, fazendo parte de um mundo sombrio. “Um produto que se transforma em lixo é prejudicial. É uma química prejudicial.”

Para Braungart, a solução para este problema é saber aplicar a química apropriada e fabricar produtos sem nenhum poluente, fazendo assim com que os produtos, uma vez descartados, se transformem em fertilizantes ou retornem ao ciclo técnico como matéria-prima pura.

“O desperdício não será mais algo negativo, mas uma virtude e viveremos num mundo de abundância, não de escassez. Nosso mundo será uma cópia da natureza, imitando, por exemplo, o florescer de uma cerejeira, que se transforma em cereja, húmus ou uma nova árvore – um ‘elixir de vida’, nos três casos”, diz o professor.

A boa notícia é que Braungart transformou sua teoria em prática e criou uma companhia, a Epea. Entre seus clientes alemães estão a Beiersdorf, dona da marca Nivea, e a fabricante de lingerie Triumph. Braungart também assessora Volkswagen, Unilever e BMW. Com sua ajuda, a HeidelbergCement desenvolveu um cimento especial que purifica o ar quando transformado em concreto. Em 2013, a Puma lançou a primeira coleção de roupas para atletismo inteiramente reciclável, incluindo sapatos que podem ser transformados em fertilizantes.

 

Para saber mais sobre o “Earth Overshoot Day”, acesse:
http://www.footprintnetwork.org
No mesmo site da GFN também é possível medir a sua pegada ecológica pessoal, no link:
http://www.footprintnetwork.org/en/index.php/GFN/page/calculators/

Fonte: Global Footprint Network – Estadão/Der Spiegel
Autor: Fernando Ferragino

 

Compartilhe

Deixe um comentário

Seu e-mail não será publicado.


*