Quer se livrar do estresse? O segredo está na Respiração | Espiritualidade nos Negócios

Quer se livrar do estresse? O segredo está na Respiração

O ritmo de vida acelerado da sociedade moderna está fazendo com que as pessoas vivam no limite. O estresse virou parte da rotina e tem deixado grande parte das pessoas doentes, com distúrbios que acometem a mente e o corpo. Vários estudos atestam isso. Uma pesquisa recente, por exemplo, realizada pela RH Talenses com mais de 100 executivos brasileiros de grandes empresas constatou que 27% têm problemas para dormir, pois se sentem ansiosos ou preocupados com o trabalho. Esta mesma situação foi descrita como ocasional por 45% dos profissionais ouvidos. Apenas 3% disseram não se sentir assim. As longas jornadas de trabalho são um dos principais gatilhos para esse estresse. Menos de 1% respondeu que nunca fica no escritório além do horário. A válvula de escape acaba sendo o uso de medicamentos: 7% dos executivos sempre tomam algum tipo de medicamento, enquanto 4% o fazem frequentemente, 10%, ocasionalmente, e 13%, raramente. O que poucas pessoas percebem é que este quadro negativo pode ser revertido por meio de um recurso gratuito e disponível a 100% da população: o ar que você respira, ou melhor, a forma como você o faz.

Foi justamente com o propósito de ensinar as pessoas a respirar (e se livrar do estresse), que a ativista ugandense Rajshree Patel esteve recentemente no Brasil, onde realizou uma série de palestras e workshops. Rajshree era promotora federal nos EUA até 1989, quando conheceu Sri Sri Ravi Shankar, guru indiano que percorre o mundo com a missão de promover a paz, por meio de uma prática de meditação conhecida como Sudarshan Kriya, que envolve o controle da respiração. Daí em diante, Rajshree abraçou a mesma bandeira e passou a viajar pelo mundo com o objetivo de ensinar as pessoas a ser mais afetivas e ter uma qualidade de vida melhor.

Para Rajshree, a resposta para o estresse está no controle das emoções, no reconhecimento de que os acontecimentos do passado, que drenam nossas energias, simplesmente não podem ser mudados. Da mesma forma, é totalmente inútil dispendermos energia na ansiedade que nos consome ao projetarmos futuros alternativos. “A mente passa pouco tempo no presente, vagando entre memórias do passado e projeções do futuro. Podemos influenciar nossas emoções através da nossa respiração. O segredo para ganhar tempo está no ritmo da respiração”, defende.

 

 

 

Entrevista
Nesta entrevista concedida a Época Negócios e ao jornal O Globo, Rajshree Patel faz uma análise sobre as causas do estresse moderno e fala sobre a importância da meditação e da respiração para restabelecermos a conexão perdida com nosso Eu interior, e resgatarmos assim aquilo que é o mais importante para a vida: a busca por alegria.

NotaDesnise

“Temos que aprender a nos conectar com a natureza humana. Não só com as informações.”

Como você avalia o estado de saúde emocional e mental atual dos executivos?
Deixe-me antes definir o que é saúde. É uma junção de saúde física, mental e emocional, espiritual. Olhando para esses três aspectos, eu raramente vejo executivos saudáveis. Eles podem fazer exercícios físicos, mas notavelmente não conseguem dormir. Muitos estão tomando algum tipo de remédio para dormir, ou para ajudá-los a relaxar. Eu os vejo estressados, sobrecarregados. Eles não têm tempo para aproveitar suas vidas. Quanto mais ocupado alguém é, menos parece ter a saúde interna. Esta é a saúde de estar centrado em si mesmo e ter a capacidade de sentir prazer no que estão trabalhando.

Eles parecem conscientes desse estado?
Frequentemente, nós confundimos inteligência com consciência ou observação. Inteligência é a habilidade para classificar, julgar, analisar e dissecar. A consciência é a capacidade de ver as classificações, os julgamentos, as análises fora de você. Isso está faltando. Nesse sentido, muitos executivos não estão conscientes de estarem gastando metade de sua saúde para ganhar riqueza. E que, mais tarde, gastarão metade do que ganharam para recuperar a saúde. Eles estão conscientes do custo, do preço que pagam para fazer o que têm que fazer. Podem atingir mais conforto, ter casas maiores, carros maiores, contas bancárias mais cheias, mas o sorriso deles não está ficando maior.

É um mal do nosso tempo?
Eu acho que a demanda sobre os executivos está se tornando maior. Havia um tempo em que você ia para casa e não estava mais acessível. Agora, por causa dos celulares, e-mails, mídias sociais e todas as outras tecnologias disponíveis, você nunca está fora do escritório. A mente, por razões de saúde, de bem-estar, de sucesso, precisa sair das situações. Qualquer executivo sabe, por exemplo, que quando está em uma atividade desafiadora, precisa parar, sair dela por um período, para que possa ter uma perspectiva nova sobre o desafio. Está faltando isso para as pessoas.

Você é otimista em relação ao futuro? Acredita que as coisas vão mudar?
As coisas estão sempre mudando, essa é a natureza. Mas, sim, eu acredito que as pessoas estão se tornando, mais e mais, conscientes sobre a vida. Elas estão percebendo que não basta ter conforto. É importante ter alegria, felicidade. Eu frequentemente digo que o sucesso deve ser medido em 200% de realização. Isso significa você ter todo o conforto do mundo externo, mas também um sorriso no seu rosto, que representa o sucesso interno. As pessoas estão reconhecendo esse valor, a necessidade da família, da conexão, do compartilhamento, da comunhão. Porque, no fim, o que nós fazemos com o que fazemos? Seja o mais alto executivo ou o motorista desse executivo, o que eles fazem com isso? Quando as pessoas vão para muito longe desses valores, de alguma forma, cedo ou tarde, percebem que a vida não está funcionando. Vejo que a tecnologia, a era da comunicação, está unindo as pessoas. Estamos percebendo que temos que aprender a nos conectar com a natureza humana. Não só com as informações.

É possível dar algumas sugestões para fazer sair do estado de inconsciência?
Uma é se dar conta de que o mais importante para a vida de qualquer um é o que está por trás de todo desejo: a busca por alegria. O poder, por exemplo. As pessoas não querem o poder pelo poder. De alguma forma, o poder é uma forma de encontrar alegria em sua vida. A vida é muito mais do que as coisas mensuráveis. Independentemente de quanto sucesso você tenha, quando chegar a hora de deixar esse planeta, você vai de mãos vazias. Você sabe disso. E se realmente sabe disso, então não fica preso em coisas muito pequenas. Ao mesmo tempo, em qualquer coisa que esteja fazendo, vai buscar viver inteiramente e ser feliz. Quais são os momentos em que as pessoas se sentem mais felizes? Quando compartilham, quando se importam. Se alguém der um chocolate a uma criança, ela não vai economizar para o futuro. Ela divide isso com as pessoas. Porque isso traz alegria. Há uma alegria em ganhar. Mas há uma alegria especial em oferecer. Nós precisamos ver a vida de maneira ampla. E isso não tem nada de místico. Se você é um empresário, quer ter sucesso, quer vender seu produto. Se a sociedade ao redor não está funcionando, é violenta, não tem educação, não tem riqueza, então quanto sucesso você poderá ter como um homem de negócios? Não muito.

Qual sua visão sobre o brasileiro?
Eu adoro ver que nesse país há mais conexão, mais humanidade, vocês reservam o tempo para a família no domingo. Na Europa, nos Estados Unidos, no Canadá, as famílias estão se perdendo, porque se mudam por causa do trabalho. Como resultado, as relações familiares não estão fortes. E uma das coisas mais bonitas do Brasil é ver essa união. Mas eu também vejo que, devagar, isso está se perdendo, se destruindo aqui. Seria uma pena, um custo que leva o país ao que eu chamo de degradação. Por isso, é tão necessário manter um equilíbrio entre a vida interna e a vida externa. Quando vou à Argentina, a porta está fechada, mas não trancada. Quando você bate, os argentinos abrem e deixam você entrar. Uma vez que você entra, a casa está totalmente aberta. No Brasil, a porta está aberta, e você pode entrar facilmente. Mas é difícil passar da sala. O resto não está tão aberto. É algo que tem que mudar. O brasileiro gosta de se fingir de bonzinho. Essa cultura está reduzindo a glória do país.

Como assim?
A riqueza está nos recursos naturais e no coração das pessoas. O crime e a violência aumentam, e em vez de expandir a mente, as pessoas põem grades nas janelas. Ir para outro país ou mandar os filhos para fora não é a solução. Queria ver os brasileiros resgatarem a sua terra, criarem a mudança, manter o crescimento aqui, em vez de fugir ou se isolar.

Como ter uma vida equilibrada no dia a dia?
Uma das razões pela qual eu acredito que as pessoas se tornam desconectadas delas mesmas, da família e da sociedade é porque hoje há cada vez mais pressão sobre elas. A tecnologia está fazendo o mundo mais e mais rápido. Os empresários e executivos têm muitas demandas. Eles ficam estressados. Esgotados. A resposta seria reduzirmos o número de coisas que temos que cumprir na vida. Mas isso não é possível para a maioria das pessoas. Você tem família, tem trabalho, existe o trânsito. Não podemos reduzir a demanda. A segunda opção é encontrar modos de ser mais energizado. Estar mais profundamente descansado internamente. Se você notar, quando está bem relaxada, consegue realizar o mesmo número de tarefas que a deixaria esgotada. Você tem mais paciência e fala: “Ok, vou resolver uma coisa por vez”. Mas como aumentar essa energia? Sabemos que exercícios ajudam. Alimentação também. Mas o segredo está em conquistar uma energia além do que você acredita ser possível. E isso se faz através da meditação e da respiração. Essa energia você pode usar em tudo o que quiser. Não é algo como tomar um Red Bull. É energia de vitalidade. Você se sente vibrante, conectada, entusiasmada. Então, suas funções de alegria, autoconfiança, entusiasmo ficam ligadas. Você realiza mais em menos tempo.

Aprenda a respirar!
O programa (já extinto) Alternativa Saúde, apresentado por Patricya Travassos no GNT, fez uma entrevista com Sri Sri Ravi Shankar, em uma edição especial sobre técnicas de meditação. Sri Sri Ravi Shankar é um guru indiano que viaja pelo mundo e visita regiões de conflito, com a missão de promover uma sociedade sem violência e sem estresse, e contribuir para a elevação espiritual das pessoas. Por este trabalho, ele já foi indicado ao Nobel da Paz. Além de ativista da paz, ele desenvolveu uma meditação, que inclui uma técnica de respiração chamada Sudarshan Kriya, cuja principal finalidade é acalmar a mente. Para o guru, a ciência da respiração é vital para nos livrarmos das emoções negativas e para fazermos a conexão com o Eu interior.

 

 

A ciência da respiração
A mente é ligada à respiração e seu padrão influencia as sensações/emoções que você vivencia.

 
Autor: Fernando Ferragino
Fonte: Época Negócios / O Globo / Fundação Arte de Viver

 

 

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