Sama – a jornada mística de Rumi, o poeta embriagado de Deus | Espiritualidade nos Negócios

Sama – a jornada mística de Rumi, o poeta embriagado de Deus

Pausa pra meditação! Sama é um dos poemas mais belos de Jalāl ad-Dīn Muhammad Balkhī, mais conhecido como Rumi, um poeta, jurista, teólogo e místico Sufi (sufismo é a corrente mística do Islã) que viveu na Pérsia durante o século 13. Ao longo do tempo, seus poemas cruzaram fronteiras, foram traduzidos para diversas línguas e hoje fazem parte do legado espiritual da humanidade. Rumi acreditava no uso da música, poesia e da dança como caminhos para alcançar Deus. Para Rumi, a música ajudava os devotos a focar todo o seu Ser no divino e que ao fazer isso com intensidade, a alma era destruída para então renascer.

Foi a partir dessas ideias que a prática dos dervixes rodopiantes se transformou em um ritual. Seus ensinamentos tornaram-se a base da ordem Mevlevi. Nesta tradição, Sama representa uma jornada mística de ascensão espiritual através da mente e do amor pelo Ser Maior. Nesta jornada, o buscador simbolicamente caminha em direção à verdade, cresce pelo amor, abandona o ego, alcança a verdade e encontra a Perfeição, ou Deus. O buscador retorna então desta jornada espiritual provido de grande maturidade, para amar e colocar-se a serviço de toda a Criação, sem discriminação a credos, raças, classes e nações.

Sama significa “escuta” e é hoje uma cerimônia Sufi praticada pelos dervixes (iniciados no Caminho Sufi), que representa a jornada mística da evolução espiritual do homem rumo à perfeição. Os dervixes são conhecidos devido à sua célebre prática do rodopio, como forma de dhikr (lembrança de Deus). Eles giram da esquerda para a direita para energizar os chakras e estabelecer uma conexão, ou comunhão, com o divino. Não à toda, dervixe significa “porta”, ou “passagem”.

 

Sama

Viemos girando do nada, espalhando estrelas como pó.

As estrelas puseram-se em círculo e nós ao centro dançamos com elas.

Como a pedra do moinho, em torno de Deus gira a roda do céu.

Segura um raio dessa roda e terás a mão decepada.

Girando e girando essa roda dissolve todo e qualquer apego.

Não estivesse apaixonada, ela mesma gritaria – basta!

Até quando há de seguir esse giro?

Cada átomo gira desnorteado, mendigos circulam entre as mesas, cães rondam um pedaço de carne, o amante gira em torno do seu próprio coração.

Envergonhado ante tanta beleza giro ao redor da minha vergonha.

Vem Ouve a música do sama.

Vem unir-te ao som dos tambores!

Aqui celebramos:

Somos todos a verdade.

Em êxtase estamos.

Embriagados sim, mas de um vinho que não se colhe na videira;

O que quer que pensem de nós em nada parecerá com o que somos.

Giramos e giramos em êxtase.

Esta é a noite do sama

Há luz agora.

– Luz ! Luz!

Eis o amor verdadeiro que diz a mente: adeus.

Este é o dia do adeus.

– Adeus ! Adeus !

Todo coração que arde nesta noite é amigo da música.

Ardendo por teus lábios, meu coração transborda de minha boca.

Silêncio!

És feito de pensamento, afeto e paixão.

O que resta é nada além de carne e ossos.

Por que nos falam de templos de oração, de atos piedosos?

Somos o caçador e a caça, outono e primavera, noite e dia, o visível e o invisível.

Somos o tesouro do espírito.

Somos a alma do mundo, livres do peso que vergasta o corpo.

Prisioneiros não somos do tempo nem do espaço, nem mesmo da terra que pisamos.

No amor fomos gerados.

No amor nascemos.

– Rumi

 

Autor: Fernando Ferragino

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