Tratar bem os funcionários compensa (e ainda pode salvar o seu emprego!). Conheça o caso do CEO que recuperou seu emprego depois que os funcionários entraram em greve | Espiritualidade nos Negócios

Tratar bem os funcionários compensa (e ainda pode salvar o seu emprego!). Conheça o caso do CEO que recuperou seu emprego depois que os funcionários entraram em greve

Você colocaria o seu pescoço na guilhotina pelo seu chefe? Por mais inusitada que a situação possa parecer, foi exatamente o que aconteceu este ano na rede de supermercados Market Basket, na Nova Inglaterra (EUA). Os 25 mil funcionários da rede entraram em greve depois que o CEO da organização, Arthur T. Demoulas, foi afastado do cargo pela diretoria, em junho passado. O motivo da greve? Nem salário, tampouco melhores condições de trabalho… os funcionários tinham uma única reivindicação: o retorno do CEO demitido.

Mesmo correndo o riso de ficar sem salário, e até mesmo de perder seus empregos, praticamente todos os funcionários aderiram à greve, dos gerentes das lojas aos repositores de mercadorias nos armazéns. Não demorou muito para que as prateleiras das lojas ficassem vazias. Até mesmo alguns clientes da rede aderiram ao boicote e aos piquetes organizados na frente das lojas quando ficaram sabendo da situação.

“Nós acabamos de testemunhar algo notável sobre o poder dos trabalhadores e dos clientes, bem como a importância de um CEO ser benevolente quando, frequentemente, os negócios estão acima de tudo”, escreveu a colunista do Boston Globe Shirley Leung.

No final, os milhares de trabalhadores – que nem sequer tinham proteção trabalhista de sindicatos – tiveram sua única demanda atendida: o amado CEO deles conseguiu seu emprego de volta.

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Disputa Familiar: primo bom vs primo mau
O pano de fundo dessa história é complicado e envolve uma disputa de 40 anos entre dois primos sobre o controle dos negócios da família. Embora esteja longe de ser um líder perfeito, o CEO Arthur T., conhecido como “Arthur bom” foi retratado como um herói pelos trabalhadores que se uniram em torno dele, em grande parte porque ele implantou uma política que destinava uma parcela maior dos lucros da companhia aos empregados. Aliado a isso, ele também tinha um toque pessoal: conhecia pelo nome os funcionários com mais tempo de casa, costumava chamá-los em casa durante tempos de crise, e doava dinheiro para a comunidade.

Do outro lado da disputa, seu primo, Arthur S., conhecido como “Arthur mau” pelos empregados, não era de todo ruim, mas favorecia mais os acionistas da família do que os trabalhadores e, por meio de uma longa série de ações judiciais, conseguiu obter o controle da maior parte da empresa. Uma de suas primeiras decisões, na época, foi justamente demitir o seu primo (e inimigo) Arthur T.

Os protestos dos empregados cessaram somente depois que a diretoria permitiu que “Arthur bom” comprasse os 50,5% de participação do “primo mau” por US $ 1,5 bilhão, o que garantiu seu retorno à posição no comando da cadeia Market Basket.

Lógica inversa da gestão tradicional: ganha-ganha pra todos
Este case vai contra o pensamento empresarial convencional que, em geral, pressupõe que as empresas devem maximizar o lucro por meio do achatamento do salário de seus empregados, oferecendo o mínimo possível. Muitas empresas, hoje em dia, especialmente no setor de serviços de baixa remuneração, adotam exatamente esta prática.

Por outro lado, um número crescente de empresas está percebendo que uma abordagem diferente compensa. Empresas que pagam salários justos mesmo aos empregados do baixo escalão, geralmente, conquistam a lealdade dos seus funcionários e um ambiente de trabalho ético que permeia toda a instituição, como aconteceu com o Market Basket.

Este paradigma traz benefícios não somente aos funcionários, mas para todos os públicos de interesse da organização, entre eles os clientes, que sentem o impacto positivo do turnover menor e das consequentes melhorias na qualidade do atendimento e no ambiente de trabalho.

“Espero que o Market Basket encoraje os líderes empresariais a refletir sobre o que significa de fato gerir um bom negócio. Entregar valor aos investidores em detrimento dos funcionários e clientes é uma maneira. Entregar valor aos investidores e clientes, mediante a manutenção de empregos bons aos empregados é uma maneira muito melhor. Market Basket demonstra que este caminho melhor é possível, mesmo no segmento do varejo com margens pequenas”, afirma o professor do MIT Sloan School of Management, Zeynep Ton.

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Relação de amor
Embora seja difícil dizer quem tem razão na briga familiar pelo controle da rede, é indiscutível que a estratégia adotada por Arthur T., de ser bom para os empregados, compensou no final. Em uma carta aberta à comunidade, os funcionários do Market Basket escreveram:

“Nós amamos a nossa empresa. Juntos, construímos um dos melhores modelos de negócios no país. Um lugar raro onde todos ganham: os associados obtêm grandes benefícios e excelentes salários, juntamente com a promessa de que com trabalho duro você será promovido; os clientes obtêm o melhor serviço ao consumidor, os melhores valores, a melhor seleção e os melhores preços; as comunidades que servimos assistem à criação de centenas de postos de trabalho; os acionistas possuem um ativo que tem sido incessante no seu crescimento”.

Quando todos são respeitados e ganham no processo, o engajamento é natural. A construção de valor começa sempre dentro de casa.

Autor: Jessica Leber (editora-assistente na Fast Company)
Adaptação: Fernando Ferragino

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