Mindfulness: atenção plena está revolucionando os cuidados com a saúde e conquistando as empresas | Espiritualidade nos Negócios

Mindfulness: atenção plena está revolucionando os cuidados com a saúde e conquistando as empresas

Conhecida no Brasil como atenção plena, a técnica de mindfulness tem se mostrado uma excelente aliada no tratamento das doenças da mente e cada vez mais ganha o respeito da comunidade científica e adeptos no mundo corporativo, depois que os gestores descobriram os benefícios de combate ao estresse associados à prática meditativa.

Quando olhamos para o atual cenário mundial da saúde, fica fácil entender porque o mindfulness, assim como outras técnicas de meditação, estão atravessando as fronteiras dos templos religiosos orientais e ganhando espaço no ocidente. A população do planeta está doente. Mais de 350 milhões de pessoas no mundo sofrem de depressão. Uma em cada 13 pessoas no planeta foi diagnosticada com um transtorno de ansiedade. No geral, a OMS – Organização Mundial de Saúde estima que atualmente cerca de 450 milhões de pessoas sofrem de algum tipo de transtorno mental ou neurológico – e que aproximadamente uma em cada quatro pessoas será afetada em algum momento de suas vidas.

Estes números são surpreendentes. Com o aumento do número de casos de doenças mentais e da necessidade cada vez mais premente de tratamentos eficazes, nunca houve um momento mais importante para a prática do mindfulness – a habilidade de cultivar uma consciência focada, sem julgamento, no momento presente. Pesquisas têm demonstrado que programas de atenção plena e à base de meditação são uma promessa válida no tratamento de várias condições psiquiátricas, como depressão, ansiedade, transtorno de estresse pós-traumático, transtorno bipolar e transtorno obsessivo-compulsivo.

Nos últimos anos, a atenção plena migrou dos centros de retiro espirituais para instalações médicas. Agora, o Instituto Nacional de Saúde Mental dos EUA – a maior organização científica do mundo dedicada à investigação sobre a compreensão e tratamento da doença mental – está encarando com seriedade a investigação dos benefícios da atenção plena como um tratamento complementar para uma série de problemas mentais .

Educando a atenção para o momento presente
A discussão sobre como a atenção plena afeta o cérebro e pode levar a aplicações clínicas inovadoras para o tratamento de uma gama das condições de saúde mental ganhou tanta relevância, que acabou virando tema central de um painel no Fórum Econômico Mundial, realizado em Davos, que reuniu o neurocientista da Universidade de Wisconsin, Richard Davidson, e o diretor do Instituto Nacional de Saúde Mental, Tom Insel.

“Mindfulness é sobre ser plenamente consciente no momento presente”, disse Davidson. “Trata-se de trazer a atenção de volta para o momento presente e não se deixar levar por nossos pensamentos.”

Esta atenção pode ser treinada por meio de várias práticas de mindfulness, como a meditação, Mindfulness-Based Stress Reduction (MBSR) ou Mindfulness-Based Cognitive Therapy (MBCT), de acordo com Davidson. “Nós podemos realmente educar a nossa atenção”, afirma.

A atenção plena ajuda a treinar as pessoas a trazer de volta o tempo de atenção ao próprio tempo presente quando a mente começa a dispersar. E é precisamente por ajudar as pessoas a não se deixar levar por seus pensamentos que a atenção plena tem se mostrado tão eficaz para condições como ansiedade e depressão. De fato, um estudo recente da Universidade de Lund mostrou que um tratamento à base de mindfulness realizado por um grupo mostrou-se tão eficaz quanto a terapia convencional empregada no tratamento de ansiedade e depressão.

Evidências científicas
A evidência sobre a eficácia destes tratamentos baseados na atenção plena continua a crescer. Segundo Insel, há atualmente cerca de 500 estudos científicos sobre mindfulness/meditação e o cérebro no no banco de dados do Instituto Nacional PubMed de Saúde nos EUA.

“Quando uma pessoa está deprimida, ela fica presa no passado. E pemanece ruminando sobre algo que aconteceu e não consegue se desapegar disso”, disse Insel. “Quando eles estão ansiosos, eles estão ruminando sobre o futuro – é esta antecipação que eles não conseguem controlar.”

Por outro lado, quando estamos atentos, estamos focados no aqui e agora. A atenção plena treina as pessoas a voltar sua atenção para o que está acontecendo no momento presente.

Em um nível neurológico, nós estamos começando a ter uma melhor compreensão das mudanças cerebrais que sustentam as melhorias no bem-estar psicológico e a redução dos sintomas de saúde mental que têm sido documentados nos treinamentos de mindfulness.

Pesquisas demonstraram que a atenção plena aumenta a atividade em áreas do cérebro associadas com a regulação da atenção e das emoções. A prática da atenção plena também contribui para a neuroplasticidade – a criação de novas conexões e vias neurais no cérebro.

“O que chamamos de aprendizagem meta-cognitivo – aprender a prestar atenção a sua própria mente e para ser introspectivo, nesse sentido – tem um impacto sobre as vias cerebrais a longo prazo”, disse Insel.

Este conhecimento sobre os aspectos neurológicos que envolvem a atenção plena poderão levar à melhoria e avanço dos tratamentos clínicos.

Qualquer um pode se beneficiar dos benefícios de aprender a cultivar uma consciência focada e sem julgamentos no momento presente – especialmente em nosso estilo de vida atual, frequentemente caracterizado por estresse, privação de sono, atuação multitarefa e distrações digitais.

Pesquisador pioneiro e criador do programa de redução do estresse baseado em midfulness, o médico Jon Kabat-Zinn também estava em Davos e compartilhou seus pensamentos sobre a revolução consciente na área de saúde mental, que, ele observou, tem acontecido ao longo das últimas décadas. Como Kabat-Zinn explicou, pesquisas e depoimentos de pacientes e médicos sugerem a prática da atenção plena pode suprimir o uso de medicamentos ao longo do tempo.

“Nós já vimos isso no domínio clínico por muitos anos. As pessoas, em conjunto com seus médicos, começam a diminuir sua medicação para dor, para ansiedade, para depressão, tão logo eles começam a aprender os elementos de auto-regulação da atenção plena “, disse Kabat-Zinn. “Eles descobrem que as coisas que costumavam ser problemas sintomáticos para eles já não atuam no mesmo nível.”

Mindfulness nas empresas
Atentas aos benefícios da atenção plena, muitas empresas nos EUA também estão implementando programas de mindfulness como ferramenta útil para a eficácia pessoal e organizacional.

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Recentemente, o pesquisador sênior da Harvard Business School, William George, escreveu sobre os benefícios profundos de suas práticas de meditação regulares na Harvard Business Review: sua pressão arterial elevada baixou para níveis saudáveis e ele se tornou mais eficaz no trabalho.

“Quando eu comecei a meditar, eu era capaz de ficar mais calmo e mais focado na minha liderança, sem perder a capacidade que eu acreditava que tinha me feito bem-sucedido”, contou George.

A meditação é uma maneira de melhorar significativamente a atenção plena. Você pode pensar que não tem tempo para praticar esta disciplina diária, mas e seu eu lhe disser que apenas 27 minutos por dia, durante 8 semanas, fazem com que seu cérebro se torne significativamente mais saudável em termos de memória e funções de decisão executiva? E se eu lhe disser que você pode melhorar sua resposta ao estresse e ser mais compassivo e eficaz em todas as áreas da sua vida?

A neurocientista Sara Lazar, que ensina psicologia em Harvard, descreve os resultados de sua pesquisa inovadora sobre a neuroplasticidade e meditação na Harvard Gazette. A equipe de pesquisa escolheu pessoas que nunca haviam meditado e instruiu metade deles a meditar todos os dias por oito semanas. Ao final de oito semanas, as varreduras do cérebro dos meditadores, que só haviam praticado uma média de 27 minutos por dia, mostrou mudanças positivas significativas em comparação às varreduras realizadas antes do início da pesquisa e em comparação ao grupo de voluntários que não praticou a meditação.

Especificamente, a massa cinzenta em meditadores aumentou em duas áreas importantes: o hipocampo, a área do cérebro responsável pela tomada de decisão executiva e de memória de trabalho, e no lobo parietal, que é responsável pela empatia, mudanças de perspectiva e compaixão. Além disso, a amígdala encolheu. Estas são as partes do cérebro que geram a resposta de luta ou fuga. Isto significa que menos adrenalina é liberada no corpo das pessoas que meditam em resposta ao estresse.

A psicóloga e pesquisadora da Universidade de Harvard, Ellen Langer, estuda mindfulness a partir de uma perspectiva ocidental. De forma a reforçar a prática da liderança consciente no dia a dia das empresas, ela sugere uma técnica: imaginar que as pessoas podem ver os seus pensamentos. Pense nisso. Se você praticasse esse hábito, você prestaria muito mais atenção à sua mente, especialmente em conversas e reuniões. Esta auto-consciência elevada melhoraria a sua capacidade de aceitar novas ideias e compreender pontos de vista diferentes dos seus. Seria mais fácil colaborar com os outros e encontrar soluções inovadoras para os desafios no seu negócio.

Como forma de praticar a atenção plena, Langer sugere um truque simples: perceber sempre cinco coisas novas sobre as pessoas com quem você costuma interagir, ou sobre os espaços que costuma ocupar. Também existem outras práticas, tais como comer em silêncio, tomando o tempo para observar seus pensamentos quando você acorda de manhã, e observando a sua respiração enquanto você escuta alguém.

Sua mente é uma parte crítica de sua identidade. Se você fizer um esforço concentrado para melhorar a sua capacidade de estar atento, a recompensa será uma vida mais eficaz, calma e alegre. É preciso atenção para se tornar plenamente consciente de quem você é.

Comece hoje. Esteja atento. Seja você.
Veja algumas dicas sobre como praticar a atenção plena no seu dia a dia:

– Comece o dia com pelo menos 10 minutos de atenção plena tranquila. Respire profundamente, alongue, acorde o seu corpo e o coloque em movimento. Deixe o seu dia começar com a intenção de viver cada dia com uma atitude positiva e gratidão para cada um dos presentes em sua vida.

– Aprecie momentos conscientes durante todo o dia. Na mesa de trabalho, antes de uma reunião, durante a sua pausa para o almoço, ao caminhar ou dirigir para o seu próximo compromisso. Estique o corpo, movendo o pescoço, ombros e costas para liberar toda a tensão que pode ter se acumulado ao longo das horas. Respire profundamente por cinco a 10 minutos. Além de acalmar sua mente, essa prática o ajudará a ficar centrado e preparado para o próximo item da agenda.

– Observe cinco coisas, todos os dias, que você costuma ignorar. Pode ser o cheiro de sua pasta de dentes, o canto dos pássaros, a forma das folhas da planta que você tem em casa, a cor do semáforo ou a forma como o sol brilha em seu escritório. Reserve um tempo para perceber as coisas que normalmente passam despercebidas no seu radar pessoal.

– Estipule uma meta: fazer, pelo menos, um ato de bondade todos os dias. Perceba como este ato fez você se sentir, e observe a resposta da pessoa beneficiada pela sua ação. Foi surpresa? Excitação? Alegria? Alívio? Ou foi apenas gratidão por alguém ter feito algo especial para eles, sem a expectativa de receber algo em retorno?

– Todas as noites, escreva sobre seu dia. Certifique-se de incluir como você se sentiu depois de cada evento. Como a atenção plena afetou o seu humor? A respiração profunda e o alongamento ajudaram de alguma forma? Quais foram os sons ou sinais que você percebeu? Descreva o seu ato de bondade e como você se sentiu depois.

Presentei-se com este momento de consciência plena e desfrute uma vida melhor!

Ainda não ficou convencido sobre os benefícios da meditação e da atenção plena? Vejas as comprovações científicas no vídeo abaixo…


Fonte: The Huffington Post – textos de Carolyn Gregoire, Susie Wolbe e Stedman Graham Torne.
Tradução, adaptação e edição: Fernando Ferragino

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