A busca de Ricardo Semler pela era da sabedoria nos negócios, na educação e na vida | Espiritualidade nos Negócios

A busca de Ricardo Semler pela era da sabedoria nos negócios, na educação e na vida

E se o seu emprego não controlasse a sua vida? E se você pudesse definir o seu próprio salário? Sair de férias quando bem entendesse, sem avisar? Já imaginou votar na escolha da pessoa que vai ser o seu chefe? Ter o mesmo direito de voto que os demais diretores nas grandes decisões da empresa? E se você não tivesse que seguir horário de entrada e pudesse mudar o local de trabalho de acordo com a sua necessidade (e problemas) do dia? Parece muito surreal?! Pois saiba que este cenário (cujas políticas estão sendo aplicadas por algumas poucas – e admiradas – empresas consideradas inovadoras) acontece na prática há aproximadamente 30 anos, desde que Ricardo Semler assumiu o controle da empresa Semco e passou a aplicar um sistema intitulado de “democracia corporativa” na condução dos negócios.

Contrário a todas as expectativas pragmáticas da visão clássica de administração, as ideias de Semler deram supercerto, a empresa que enfrentava enormes dificuldades, na época, decolou e alçou o nome de Ricardo ao posto de líder visionário, com repercusão mundial. Apesar do sucesso e da fama, entretanto, poucas foram as organizações que ousaram seguir as mesmas trilhas propostas por Semler. “Viemos da era industrial, era da informação, do conhecimento, mas não estamos nem próximos da era da sabedoria”, afirma o empresário que hoje não responde mais pelo comando da empresa e dedica seu tempo à construção de novos negócios pautados pela transformação positiva da sociedade, em especial no campo da educação.

Sempre questionador, Semler critica o mindset atual que rege a forma como conduzimos nossas escolhas perante a vida. “Poucos sabem lidar com a ociosidade. Nos períodos em que temos muito dinheiro, temos pouco tempo e quando finalmente temos tempo, não temos mais dinheiro nem saúde. A questão que fica é ‘como você se prepara para a sabedoria’? Como nos planejamos para isso?”, provoca. “Todos nós aprendemos a acessar nosso e-mail no domingo à noite e trabalhar de casa. Mas poucos de nós aprenderam a ir ao cinema nas tardes de segunda-feira. E se procuramos por sabedoria, precisamos aprender a fazer isso também”. Para Semler, o caminho para essa mudança tem início a partir de uma pergunta simples, que todos devem fazer a si mesmos: “Para que estou fazendo isso?”. Este processo de autoconhecimento e descoberta de propósito é a porta de entrada para o caminho de uma vida orientada pela sabedoria.

Semler, por sua vez, acredita que a mudança no sistema de gestão e no pensamento de “como fazer as coisas” não acontecerá agora, mas virá das crianças, que passarão a fundar empresas de forma diferente. Segundo Semler, os gestores de hoje não têm o incentivo para praticar esta mudança no jogo, pois operam sob um mandato de 90 dias, onde são obrigados a entregar bons resultados quadrimestrais . “Se a companhia não estiver bem, você está fora”. A gestão é praticada sempre com olhar para resultados a curto prazo, sem espaço para a construção de algo melhor para as gerações futuras.

Justamente por acreditar que a construção de um novo paradigma depende de uma nova geração, Semler dirige hoje uma fundação responsável pela administração de três escolas (uma delas pública) que praticam um modelo totalmente revolucionário de educação, baseado na sabedoria e no empoderamento das crianças. Os resultados positivos deste projeto já começam a florescer. Seu sonho agora é disseminar este novo modelo de escola mundo afora e inspirar educadores a repensar a forma obsoleta de aprendizado praticada atualmente nas salas de aula. De acordo com Semler, um novo modelo de escola é fundamental para que a mudança de mindset aconteça e traga reflexos futuros no mercado de trabalho e na gestão das empresas.

Para o empresário, a melhor forma de estimularmos um olhar de sabedoria para o modo como conduzimos nossas vidas tem início a partir de uma simples pergunta que todos devem se fazer: “por que existimos?”. “Sempre retorno a variações da mesma pergunta. Não há outras perguntas. Quantas pessoas no leito de morte você viu dizerem ‘cara, dveria ter passado mais tempo no escritório’. É preciso ter coragem agora, não em duas semanas ou daqui a um mês, para se perguntar ‘por que estou fazendo isso'”. No vídeo abaixo, gravado para o TED Talks, Semler fala sobre sua visão radical de sabedoria aplicada às empresas, às escolas e à vida.

 

 

Autor: Fernando Ferragino

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