Controle suas Emoções Aflitivas e melhore seus relacionamentos | Espiritualidade nos Negócios

Controle suas Emoções Aflitivas e melhore seus relacionamentos

Empresas que estimulam ambientes competitivos e a busca por resultados (a qualquer preço) no curto prazo, via de regra, estão imersas em cenários tóxicos norteados pelo egoísmo, medo, ciúmes, desconfiança, mentiras e lutas políticas. Em ambientes poluídos assim, a comunicação nunca consegue atingir seu objetivo final. Em primeiro lugar porque muitas lideranças retêm as informações propositadamente. Em segundo lugar porque profissionais tóxicos cerceiam a liberdade de expressão. Não há espaço ou permissão para questionamentos. O funcionário nunca se sente à vontade para tirar uma dúvida com seu chefe. Não há canais de diálogo entre líderes e subordinados.

Este cenário compromete qualquer tentativa de alinhamento do planejamento estratégico entre os colaboradores da instituição. Em meio à desmotivação geral, a informação não desce para a base, fica truncada entre os processos diagonais e horizontais e também não sobe para o topo da pirâmide, mesmo quando a empresa resolve fazer uma pesquisa de clima, afinal, as pessoas percebem que de nada adianta reclamar ou sugerir, uma vez que os gestores não lhes darão ouvidos. Quando a adesão cínica dos executivos em prol de um movimento de mudança é percebida pelos funcionários, a empresa perde a credibilidade e o respeito de seus colaboradores. Todos ficam desanimados, não enxergam mais propósito na tarefa realizada. Como consequência, a produtividade cai, os índices de acidentes, absenteísmo e turnover aumentam consideravelmente e não demora muito para que os prejuízos comecem a bater à porta.

A qualidade dos relacionamentos interpessoais entre funcionários e gestores interfere diretamente na saúde da organização. Dentro da escala de interdependência, precisamos dos outros tanto quanto os outros precisam de nós. Se não tivermos uma relação saudável, com o mínimo de respeito por nossos colegas de trabalho, fica impossível caminhar adiante. A qualidade dos relacionamentos que cultivamos no dia-a-dia entre nossos pares, líderes ou subordinados é fundamental para a eficácia da comunicação e para o sucesso da atividade exercida. Grande parte dos problemas de relacionamento, se não todos, têm origem naquilo que os monges tibetanos chamam de “nyong mong”, ou emoções aflitivas, em português. Trata-se da falta de controle sobre nossas próprias emoções, ou melhor, da falta de controle à maneira como reagimos a situações que normalmente colocam em xeque a nossa paciência e abalam nossa paz de espírito.

Segundo o Dalai-Lama, nossos pensamentos e emoções negativas destroem nossa capacidade de discernimento. Movidos pela raiva, ódio, orgulho, ganância, luxúria e pela inveja, tomamos atitudes que causam danos às outras pessoas. Não pensamos nas consequências e implicações de nossos atos. Mais tarde, quando nos arrependemos das nossas ações, já é tarde demais, o mal já foi feito. Vivenciamos este tipo de situação cotidianamente no trânsito dos grandes centros urbanos. Quando alguém nos dá uma fechada, por exemplo, somos tomados por sensações negativas. Nossa primeira reação instintiva é xingar a outra pessoa ou fazer coisa pior. Por isto mesmo são cada vez mais frequentes os casos de agressão e mortes em brigas de trânsito. Este descontrole sobre nossas reações é um sinal claro de fraqueza e não de força, como muitos pensam. Quando adoto um comportamento agressivo, demonstro fraqueza. Dou claros sinais de que sou dominado facilmente pelas minhas emoções, não tenho controle algum sobre elas. Ao contrário, são minhas emoções (tóxicas) que me controlam a todo momento.

Esta mesma situação acontece diariamente no ambiente de trabalho, toda vez que um chefe ou subordinado diz algo que fica “atravessado” na nossa garganta e acabamos impelidos a iniciar discussões que não trazem nenhum benefício, senão o fato de magoar e ofender as pessoas envolvidas na questão. Em situações como esta, perdemos nossa “consciência” sobre nossas ações e intenções, e apenas reagimos às provocações impelidos por um sentimento de ódio que toma conta de nós, assim como um cavalo responde com um coice quando provocado ou maltratado por alguém.

Para escaparmos desta armadilha, precisamos cultivar e reforçar nossas qualidades positivas. Trata-se de um exercício diário de qualidades como amor, compaixão, paciência, tolerância e humildade. Para os monges tibetanos, a principal e mais difícil virtude a ser desenvolvida é o que eles denominam como “so pa”, expressão equivalente em português à paciência ou nossa capacidade de autocontrole, resolutividade e serenidade diante das adversidades. Em linhas gerais, a solução para evitarmos as emoções aflitivas e melhorarmos consequentemente nossos relacionamentos reside em três passos:

1. Identificar nossos pensamentos negativos
É lição para vida inteira. Devemos nos colocar sempre na posição de “observadores” de nossos próprios sentimentos, pensamentos, intenções e ações, de modo que possamos perceber ao longo do tempo o que de fato é nosso e o que não nos pertence.

2. Conter nossas reações
Depois que adquirimos consciência sobre nossas emoções negativas, precisamos cultivar o hábito de conter nossas reações a tais emoções. Quando não contemos nossa reação instintiva a estas sensações, agimos de modo antiético e fomentamos uma tempestade interior que abala nossa paz, nos deixa desequilibrados, inseguros, infelizes, ansiosos e a um passo da depressão. Não confunda, entretanto, contenção com negação. Quando alguém nega ou reprime sistematicamente suas emoções, corre o risco de “explodir” a qualquer momento, como uma represa cheia de água. A contenção consiste em avaliar a maneira como devemos nos portar. E às vezes é necessário “enfrentar” situações e pessoas. Para tanto, é preciso ter critério, bom senso e respeito pelo outro.

3. Exercitar a paciência
A ginástica diária da paciência, tolerância e serenidade frente às adversidades traz estabilidade emocional e paz de espírito, nos deixa mais fortes mental e espiritualmente, e melhora, inclusive, nossa saúde física. É preciso manter a calma frente à tempestade e encarar as adversidades como lições e aprendizados para nosso crescimento moral e espiritual.

Controlar nossas emoções é a única maneira possível para atingirmos a felicidade e a tão almejada paz de espírito. Para tanto, nossa relação com as outras pessoas é peça-chave, pois dela também depende a nossa felicidade. Não devemos esquecer do karma. Toda vez que ofendo alguém, além de fazer uma grande retirada da minha conta bancária relacional com a pessoa ofendida (deixando meu saldo devedor), ainda crio por tabela um karma negativo que, mais cedo ou mais tarde, apresentará de alguma forma a “conta” pelo prejuízo que causei. Como James Hunter diz: “nem sempre posso controlar o que sinto a respeito de outra pessoa, mas posso controlar como me comporto em relação a outras pessoas”.

Para que os relacionamentos sejam saudáveis, basta praticar uma regra simples: se colocar sempre no lugar do outro. Trata-se mais uma vez de colocar em prática a mesma lição milenar ensinada insistentemente por Jesus, Buda, Gandhi, Zaratustra, entre tantas outras pessoas iluminadas que já caminharam sobre a terra: trate o outro da mesma forma que você gostaria de ser tratado!

Autor: Fernando Ferragino

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