CEO aumenta produtividade da empresa com programa de yoga e meditação para funcionários | Espiritualidade nos Negócios

CEO aumenta produtividade da empresa com programa de yoga e meditação para funcionários

Conheça a história de Mark Bertolini, executivo que após passar por uma experiência de “quase-morte”, transformou a cultura organizacional da Aetna, uma das 100 maiores empresas dos EUA, com um programa de aulas gratuitas de yoga e meditação para os funcionários. Cerca de 13 mil profissionais da Aetna aderiram às aulas e relataram uma melhora significativa na qualidade de vida, que refletiu diretamente no desempenho da empresa: após a introdução do programa, as despesas com tratamentos médicos diminuíram 7,3% (equivalente a uma economia de US$ 9 milhões), e os empregados se tornaram mais eficazes, ganhando uma média de 62 minutos por semana de produtividade cada (equivalente a US$ 3.000 por funcionário, por ano).

A Aetna está na vanguarda de um movimento que, silenciosamente, está se espalhando pelo mundo dos negócios. Empresas como Google estão oferecendo cursos de inteligência emocional para os funcionários. A General Mills tem uma sala de meditação em cada edifício em seu campus corporativo. Até mesmo empresas tradicionais de Wall Street, como Goldman Sachs e BlackRock, estão ensinando e incentivando o uso da meditação no trabalho.

Por meio de uma visão holística, com foco no emprego da espiritualidade nos negócios, empresas como a Aetna buscam transformar o ambiente de trabalho em locais agradáveis e admirados, onde os funcionários possam exercer a criatividade, centrados no momento presente, aumentando, claro, a produtividade e o lucro. Veja a história completa.

Mark Bertolini é um CEO peculiar. Aos 58 anos, e no comando da seguradora de saúde Aetna, uma das cem maiores empresas dos EUA, ele não tem o hábito de usar gravatas. No lugar do acessório, exibe um amuleto de metal grafado com a palavra, em sânscrito, “soham”. O termo – também tatuado em suas costas – significa “eu sou isso”. Segundo o executivo, a repetição mental desse mantra o ajuda a controlar a respiração durante a prática de meditação e simboliza uma “conexão divina” com o universo.

A relação entre Bertolini e o “eu sou isso” teve origem em um acidente, sofrido em 2004. Após passar por uma experiência de “quase-morte”, o executivo deu uma guinada em sua vida pessoal e profissional, remodelando a cultura organizacional da Aetna. Após comprovar os benefícios positivos da yoga e da meditação em seu próprio bem-estar, o executivo decidiu compartilhar a experiência com os empregados da Aetna, por meio de um programa gratuito de aulas de yoga e meditação para seus funcionários. Mais de 13 mil trabalhadores já participaram da iniciativa. Ele também incluiu as mesmas aulas nos contratos de seguro-saúde comercializados pela Aetna. E em janeiro, após ler “Capital no Século XXI”, o tratado sobre a desigualdade escrito pelo economista francês Thomas Piketty, Bertolini deu a seus empregados com mais baixa remuneração na companhia um aumento de 33%.

Todas estas iniciativas colocaram a Aetna na vanguarda do mercado corporativo nos EUA. Em um momento próspero para as empresas de seguro, devido ao aumento da carteira de novos clientes, as ações da Aetna triplicaram desde que Bertolini assumiu como presidente-executivo em 2010, e recentemente bateram um recorde.

Mais de 13 mil funcionários da Aetna já participaram das aulas de yoga

Mais de 13 mil funcionários da Aetna já participaram das aulas de yoga

Mais de ¼ dos 50 mil colaboradores da Aetna já participou de pelo menos uma das aulas de meditação ou yoga e relataram, em média, uma redução de 28% nos seus níveis de estresse, uma melhoria de 20% na qualidade do sono e uma redução de 19% na dor. Eles também se tornaram mais eficazes no trabalho, ganhando uma média de 62 minutos por semana de produtividade cada, que Aetna estima valer US$ 3.000 por funcionário, por ano. A demanda para os programas continua a aumentar e as aulas estão lotadas.

A Aetna está na vanguarda de um movimento que, silenciosamente, está se espalhando pelo mundo dos negócios. Empresas como Google estão oferecendo cursos de inteligência emocional para os funcionários. A General Mills tem uma sala de meditação em cada edifício em seu campus corporativo. Até mesmo empresas tradicionais de Wall, como Goldman Sachs e BlackRock, estão ensinando e incentivando o uso da meditação no trabalho.

Os objetivos de tais programas são diversos. Alguns, como a Aetna, se destinam a melhorar o bem-estar geral; outros pretendem aumentar o foco e produtividade. A maioria dos programas destina-se a tornar os funcionários mais centrados no momento presente, menos propensos a tomar decisões precipitadas e pessoas mais agradáveis e gentis no ambiente de trabalho.

A adoção dessas práticas não convencionais no local de trabalho coincide com um interesse crescente entre o público norte-americano. Mais de 21 milhões de pessoas praticam yoga nos EUA, o dobro do número de uma década atrás, de acordo com o National Institutes of Health.

Mark Bertolini

Mark Bertolini

A transformação
No dia 18 de fevereiro de 2004, Bertolini quase morreu. Na época (quando ainda não era CEO da Aetna, mas uma estrela em ascensão na companhia), ele estava esquiando com sua família quando sofreu um grave acidente, ao cair de um penhasco.

Durante o tempo em que permaneceu na unidade de terapia intensiva, um padre chegou a ministrar os últimos sacramentos. Como resultado do acidente, Bertolini havia fraturado cinco vértebras no pescoço e um emaranhado de nervos ligados ao seu braço esquerdo haviam se separado da sua medula espinhal.

Após passar por cinco cirurgias, Bertolini passou a conviver com uma dor insuportável. “Era como se alguém estivesse queimando meu braço com uma tocha durante todo o dia”, conta. Para controlar a dor, Bertolini passou a fazer uso de uma série de medicamentos. Depois de um ano de resultados insatisfatórios com tratamentos convencionais, ele decidiu, então, buscar soluções alternativas, como yoga e aulas de alongamento.

Pouco tempo depois, ficou encantado com a história cultural da yoga e passou a praticar a meditação mindfulness (atenção plena). Com a meditação, Bertolini aprendeu que era mais fácil gerir pensamentos e emoções difíceis. “A meditação não é sobre pensar sobre nada”, diz. “Trata-se de aceitar o que você pensa, reverenciar e se desapegar desses pensamentos. É perder o apego. A mesma coisa vale para a dor”.

A prática da yoga e da meditação permitiram ao executivo retomar seu trabalho com vigor renovado. Quando ele se tornou presidente-executivo da Aetna, assumiu uma empresa que tem agora cerca de US $ 58 bilhões em receitas anuais.

Bertolini decidiu, então, propiciar os mesmos benefícios da yoga e da meditação a seus funcionários, e transformou a empresa em um laboratório. Ao avaliar a performance financeira da Aetna em 2012, o executivo verificou que os custos de saúde da companhia haviam caído. As despesas médicas por empregado diminuíram 7,3%, o equivalente a uma economia de US$ 9 milhões. No ano seguintes, os mesmos custos subiram 5,7%, mas mantiveram-se cerca de 3% mais baixos em comparação ao peródo anterior à introdução dos novos programas.

Para Bertolini, o que começou como uma jornada de cura pessoal transformou-se numa missão que tem por objetivo melhorar a saúde física, mental e espiritual de seus quase 50 mil funcionários e milhões de clientes. Os negócios também agradecem.

Fonte:
New York Times
“Mindful Work: How Meditation Is Changing Business From the Inside Out,” by David Gelles
Época Negócios
Adaptação: Fernando Ferragino

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2 Comments on CEO aumenta produtividade da empresa com programa de yoga e meditação para funcionários

  1. Carla Rejane Gomes Benites // 12 de setembro de 2015 em 14:12 // Responder

    Maravilhosa esta publicação. Super inovadora.

  2. Que maravilhoso! Espero que isso também pegue aqui no Brasil.

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