Interdependência ou morte! | Espiritualidade nos Negócios

Interdependência ou morte!

Você, às vezes, se sente angustiado e atropelado pela enorme quantidade de informações e pela velocidade com que os dias passam e as coisas mudam, sem que você consiga processar direito o que está acontecendo?! Bem-vindo ao clube! A sensação de estar perdido no meio do tiroteio, vivenciada por inúmeras pessoas e organizações, tem a ver com o fato de estarmos no meio da transição de um modelo de Sociedade Industrial para uma Sociedade do Conhecimento, onde todos estão conectados a tudo e a todos o tempo inteiro. Estamos em pleno Antropoceno, tempo em que as escolhas dos seres humanos impactam diretamente, em escala global, no clima do planeta e nos ecossistemas. Tempo em que modelos econômicos, políticos e sociais vigentes já não funcionam mais, precisam evoluir e se adaptar a um novo mindset, a uma nova consciência, que aos poucos desperta com um olhar mais ético, humano, interdependente e integrado ao todo. O vídeo-manifesto “Natura – Contexto de Mundo”, gravado pelo fundador da Thymus Branding, Ricardo Guimarães, aborda de maneira bem didática este novo cenário e nos ajuda a compreender o mundo atual.

Segundo Guimarães, o mundo virou de cabeça pra baixo depois que a tecnologia ficou mais barata e acessível às pessoas, fazendo com que, de uma hora para outra, todos se transformassem em agentes conectados, capazes de mobilizar e produzir conhecimento, sem ter que pedir permissão às organizações, que antes ditavam as regras do jogo. As empresas, antes habituadas a lidar com consumidores passivos e sistemas hierarquizados com funcionários doutrinados a bater continência ao primeiro comando, hoje patinam e tentam achar meios de se relacionar com consumidores e colaboradores mais exigentes, críticos e conscientes sobre seus papeis e sobre as responsabilidades das organizações. Como resultado, saímos de um cenário estável e lento, onde as situações eram mais previsíveis e podiam ser controladas (até certo ponto), e mergulhamos em um mundo instável, caótico e dinâmico, completamente imprevisível e, portanto, totalmente fora de controle.

Este novo cenário trouxe um grande dilema às instituições: como lidar com este novo indivíduo conectado, mais crítico e com acesso à informação? Novos tempos pedem novas atitudes e posturas. Para Guimarães, os líderes e organizações que desejam prosperar no futuro precisam agir com simplicidade, discernimento e bom senso, pautados pelos valores que fundamentam a missão e o propósito de existência da instituição. Aqui ele faz uma analogia com a Igreja Católica. Para Guimarães, o Papa Francisco é um exemplo atual de “executivo”, ou liderança. Atuando com simplicidade, alinhado aos valores e princípios do catolicismo, o Papa Francisco teve coragem de criticar a postura da Igreja e colocou em marcha uma série de transformações que mudaram para melhor a percepção do mundo sobre a imagem da Instituição.

Ele trocou, por exemplo, o “trono” adornado por uma cadeira simples, a reclusão por uma moradia acessível a padres e bispos que visitam o Vaticano, retirou o vidro do papamóvel, e mudou até mesmo a política de investimentos da Igreja, priorizando relações comerciais com empresas que partilham os mesmos valores. O grande mérito do Papa Francisco é ser coerente com aquilo que pensa, diz e faz. “Da cadeira aos investimentos, ele busca simplicidade, praticidade, economia, agilidade, leveza e consistência. O Chico é um bom exemplo de sucesso neste novo cenário”, afirma Guimarães. Na teoria, isso parece ser simples, mas se trata de algo raro de ser encontrado no mercado.

Ainda segundo Guimarães, outra grande mudança no mercado é que anteriormente os profissionais eram vistos e se comportavam como peças de uma grande engrenagem, em um mundo lógico e previsível. Vivíamos num mundo mecânico e cartesiano. Hoje, por outro lado, profissionais e empresas se comportam como sistemas vivos, em um ambiente dinâmico, que muda a toda hora. Isto exige, de novo, uma nova postura das lideranças: reconhecer a importância da interdependência, criar pontes para o diálogo, ouvir e estimular ambientes colaborativos, onde todos possam, coletivamente, contribuir para a solução de problemas e a tomada de decisões. Airbnb, Wikipedia e Uber são exemplos de organizações que, por meio de uma nova visão de negócios, baseada na economia compartilhada e colaborativa, estão causando profundas transformações não somente em seus respectivos nichos de negócios, mas na maneira de nos relacionarmos em sociedade.

Há mais de 500 anos antes de Cristo, Sidarta Gautama, após trilhar o Caminho do Meio e despertar como Buda, já chamava a atenção para importância da interdependência em nossa visão do mundo, algo fundamental para que possamos nos reconhecer como iguais e partes integrantes de um mesmo Todo. Esta consciência é vital para caminhar no mundo com visão, intenção e ação corretas, evitando causar mal aos outros e visando sempre o bem maior. Para Guimarães, chegou o momento de reconhecer que a realidade é interdependente e precisa da participação de todos. “Independência ou morte deu certo no século passado. Neste século, o certo é interdependência ou morte! Temos que amadurecer como indivíduos e olhar para o nosso interesse pessoal e do todo ao mesmo tempo”, conclui.

 

Autor: Fernando Ferragino

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