No ritmo da dança cósmica: tudo o que chega é bom, tudo o que vai também! | Espiritualidade nos Negócios

No ritmo da dança cósmica: tudo o que chega é bom, tudo o que vai também!

A impermanência é uma das verdades mais difíceis de encarar na vida. Isso porque somos condicionados a acreditar que tudo sempre será do mesmo jeito pra sempre. Nos acostumamos a viver na zona de conforto e, via de regra, somos sempre resistentes à mudança, até porque ela sempre vem acompanhada pelo desconhecido e pela inevitável sensação de incômodo, parte inerente ao processo de aprendizagem e adaptação. Acontece que a mudança é a única certeza que temos. Afinal, vida é movimento, ela acontece. Faz parte da dança cósmica do Universo, como a especialista em yoga e meditação, Marcia de Luca, relata no texto a seguir.

Quando li o artigo pela primeira vez, me veio à mente a imagem de “Shiva, o auspicioso”, uma das principais deidades do hinduísmo, cuja figura sempre é retratada em uma dança incessante associada à destruição, transformação e criação do mundo. Com o uso de um tridente (trishula), Shiva destrói a ignorância dos homens e promove uma transformação responsável pelo contínuo fim e renascimento de mundos, ou formas de ser e pensar. Puro misticismo?! Nem tanto… Não deixa de ser, no mínimo, curioso o fato de existir uma imagem gigante de Shiva dançando na entrada do CERN, organização europeia de pesquisa nuclear responsável pela criação do maior acelerador de partículas do mundo (o LHC – Large Hadron Collider), com o qual os cientistas conseguiram comprovar a existência do bóson de Higgs, a partícula de Deus, em 2012…

Mas, voltando ao que interessa, Marcia ressalta a importância de treinarmos o desapego e diminuirmos a resistência frente às adversidades e mudanças que acontecem em nossas vidas, uma vez que elas fazem parte da dança da vida, a dança de Shiva. “Mudanças são necessárias para nosso crescimento espiritual. Com base nesse ponto de vista, bendita a porta fechada, porque estamos dando espaço para que outra muito melhor se escancare para nós”, afirma. A tarefa não é nada fácil. A fogueira da transformação faz a alma arder… No entanto, abre portas para novos mundos e possibilidades sequer imaginadas. E você, está preparado para entrar nessa dança? Leia o texto completo:

“Leve, livre, sem expectativas: já pensou em encarar a existência dessa maneira? Não é tão difícil quanto parece. E saber como o Universo opera facilita essa forma de enxergar o mundo e a si mesma. Perceba que fios invisíveis nos conectam uns aos outros e ao cosmo, a grande coreografia da vida. Segundo os mestres orientais, nada é estático. Tudo está em constante movimento e, consequentemente, em permanente transformação. Eles chamam isso de dança cósmica, que é regida por uma grande inteligência, orquestrando tudo e todos neste planeta.

Esse movimento é sempre para melhor – mesmo que nossos condicionamentos nos façam acreditar no contrário. Comece a reparar nesse fluxo divino. Foque sua atenção no aqui e no agora, esquecendo problemas e preocupações. Veja então que, quando uma porta se fecha, imediatamente outra se abre. É inerente ao término de um caminho o começo de outro. Por exemplo, quando um relacionamento acaba, nos descabelamos e nos entristecemos, consumidas por uma sensação de perda e fracasso. Mas, para os sábios orientais, tudo chega ao fim no momento certo e, a partir desse estágio, teremos acesso a infinitas possibilidades de novos recomeços, que serão mais enriquecedores. Lembre-se: mudanças são necessárias para nosso crescimento espiritual. Com base nesse ponto de vista, bendita a porta fechada, porque estamos dando espaço para que outra muito melhor se escancare para nós. Porém, para enxergarmos isso, é preciso dedicar nossa atenção ao momento.

Vamos assumir o compromisso de mudar nossas atitudes e adotar a seguinte linha de pensamento: tudo o que chega é bom, tudo o que vai também. Treine o desapego e suavize sua resistência para que você entre nesse ritmo contagiante da dança do Universo. Abrace as doenças como amigas que vêm para nos alertar de que estamos fazendo algo errado, sem respeitar os sinais de conforto e desconforto do nosso corpo. Pare e pense no que há para aprender com cada situação. Não estamos aqui apenas para ser seduzidos por prazeres dos sentidos… Há, acima disso, uma tarefa a ser cumprida: realizar o potencial de grandeza que existe dentro de nós.

O mundo precisa ser transformado sempre e nosso papel nessa evolução é fundamental. Vamos nos esforçar, então, para sermos melhores a cada dia, assumindo nosso compromisso com a criação de um lugar mais justo, solidário e feliz. Nosso caminho deve ser aquele em direção à luz, exercendo a compaixão, a compreensão, a empatia.

Agora mesmo, durante esse voo existencial, coloque-se em uma postura confortável, feche os olhos, faça vários ciclos de respirações profundas e pense no que acabou de ler. Mude o paradigma vigente de que somos pessoas separadas e em competição constante. Entenda que estamos interligadas por fios que nos conectam umas às outras e nós à dança do Universo. O seu bem é o meu; o meu mal é o seu. Visualize em sua tela mental você, totalmente leve e solta, dançando em ritmo lento, na mais perfeita harmonia com o cosmo. E siga sem perder isso de vista. Esse é o objetivo que perseguiremos a partir de agora. Estabeleça essa grande meta, que se realiza por meio de nós e beneficia a todos.”

Autora: Marcia de Luca é especialista em yoga, meditação e ayurveda e uma das idealizadoras do movimento Yoga pela Paz. Artigo publicado originalmente na revista Claudia de agosto/2016. Mais sobre a autora em http://www.marciadeluca.com/
Texto de abertura: Fernando Ferragino

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